Google Pixel 11 Pro XL: evolução sem revolução onde a inteligência artificial assume o comando

Google Pixel 11 Pro XL: evolução sem revolução onde a inteligência artificial assume o comando

A Google renovou o seu smartphone de topo com mais inteligência artificial, câmaras melhoradas e um novo processador. Há novidades interessantes, mas também algumas escolhas que mostram que esta evolução ainda está longe de ser perfeita.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Google

Há smartphones que chegam ao mercado com a promessa de mudar tudo. E há outros que preferem aperfeiçoar uma fórmula que já funciona. Foi esta a solução encontrada pela multinacional norte-americana para o seu mais recente smartphone Pixel 11 Pro XL. 

Não é uma revolução, nem pretende parecer sê-lo. É antes uma tentativa de aperfeiçoar uma fórmula que já funciona, sobretudo através da inteligência artificial, da fotografia computacional e de um novo processador.

O novo topo de gama da Google chegou às lojas portuguesas a 20 de agosto com um preço de venda ao público de 1.429 euros. A receita é conhecida: um grande ecrã, três câmaras, Android puro e uma forte aposta na inteligência artificial. A diferença é que, nesta geração, a Google quer que a IA deixe de ser uma função adicional e passe a ser uma parte central da utilização do telefone.

A pergunta, por isso, não é apenas saber se o Pixel 11 Pro XL é bom. Isso já parece claro.

A questão mais interessante é outra: o que mudou realmente nesta nova geração e até que ponto essas mudanças melhoram a experiência de utilização?

À primeira vista, quase nada mudou. Quem pegar nos dois smartphones poderá ter alguma dificuldade em distinguir imediatamente o Pixel 10 Pro XL do novo 11 Pro XL.

O ecrã continua a ter 6,8 polegadas, a frequência de atualização chega aos 120 Hz e a filosofia de design mantém-se praticamente intacta. O novo modelo é um pouco mais leve e o ecrã ficou ainda mais luminoso, chegando aos 3.600 nits de brilho máximo anunciado pela Google.

Há também uma nova camada de proteção contra riscos.

São melhorias úteis, mas não são daquelas que fazem alguém olhar para o antigo Pixel e pensar: "tenho mesmo de trocar." E isso resume boa parte da história do Pixel 11 Pro XL.

Onde a Google realmente mexeu… A principal novidade está no interior.
O Pixel 11 Pro XL recebeu um novo processador Tensor G6, desenhado para dar mais importância à inteligência artificial e à eficiência. A empresa promete ganhos de velocidade e processamento de IA, mas os primeiros testes independentes aconselham algum realismo: o novo processador é mais rápido em algumas tarefas, mas continua atrás dos melhores chips utilizados nos smartphones topo de gama da Samsung e da Apple, sobretudo nos gráficos.

Ou seja, a Google não parece estar a tentar ganhar a corrida dos benchmarks. Mas está claramente a jogar outro jogo.

O Tensor G6 serve sobretudo para fazer com que o telefone consiga executar mais tarefas inteligentes sem depender constantemente da “cloud”. E é aí que começa a aparecer a verdadeira personalidade do Pixel 11.

A IA deixa de ser uma promessa e passa a ser uma ferramenta.

Google introduz várias funcionalidades novas baseadas em inteligência artificial
Uma das mais interessantes é o Rambler, integrado no teclado do telefone. Em vez de simplesmente transformar voz em texto, tenta perceber o que realmente queremos dizer: elimina hesitações, reconhece correções feitas a meio de uma frase e organiza melhor aquilo que foi dito. Num teste da WIRED, a ferramenta mostrou uma capacidade particularmente impressionante para compreender discurso natural.

Há ainda no campo da captação o Magic Capture, o Instant Night Sight, novas ferramentas de criação de vídeo e tradução de vídeo em tempo real. É uma abordagem diferente da habitual.
Em vez de dizer "o nosso telefone tem inteligência artificial", a Google está a tentar responder a uma pergunta mais prática: o que é que essa inteligência pode fazer por mim?

Nem todas as respostas são igualmente convincentes, mas a direcção parece certa.

E as câmaras? Aqui, o Pixel continua a ter argumentos muito fortes.

A Google melhorou os sensores e o processamento de imagem e leva o seu zoom computacional até 120x. Mais importante do que o número, porém, é o trabalho feito no sensor principal e na teleobjetiva. A marca está a tentar melhorar não apenas as fotografias em condições ideais, mas também aquelas situações em que os smartphones normalmente têm dificuldades: pouca luz, movimento, retratos e grandes ampliações.

Os primeiros testes independentes confirmam melhorias, embora sem unanimidade em todos os cenários.
Ainda assim, uma coisa permanece relativamente consensual: se a fotografia for uma das principais razões para comprar um Pixel, o 11 Pro XL continua a fazer sentido.

Quanto à bateria a escolha da Google é uma das decisões mais difíceis de explicar, isto porque o Pixel 10 Pro XL tinha uma bateria de 5.200 mAh. O novo modelo tem uma bateria ligeiramente menor.

Na prática, a Google aposta na eficiência do Tensor G6 para compensar essa redução. Mas os testes realizados até agora não mostram uma evolução significativa.

Não significa que o Pixel tenha pouca autonomia. Para muitos utilizadores chegará perfeitamente ao fim do dia, mas se a sua escolha é a duração, a bateria não é um dos argumentos que justificam claramente a passagem para a nova geração.

E há uma decisão ainda mais estranha: O Pixel 10 Pro XL tinha 16 GB de RAM e o novo Pixel 11 Pro XL, a versão de entrada com 256 GB passa para 12 GB de RAM.

É uma escolha que chama particularmente a atenção porque a Google está, ao mesmo tempo, a vender a inteligência artificial como uma das grandes razões para comprar o novo aparelho.

Para o utilizador comum, 12 GB continuam a ser suficientes para praticamente tudo.

A questão é: por que razão um telefone novo e mais caro oferece menos memória na configuração de entrada do que o modelo que veio substituir? É uma pergunta legítima que a multinacional terá certamente um argumento que iremos aguardar.

A pergunta volta a impor-se: o novo modelo é melhor? Apresento um “sim tímido”. Tem melhores câmaras, novo processador, novas funcionalidades de IA, um ecrã mais brilhante e algumas melhorias de construção.

Mas não há uma mudança suficientemente radical que transforme o Pixel 10 Pro XL num telefone ultrapassado.

E para quem só agora vai comprar um Pixel?

O Pixel 11 Pro XL é provavelmente uma excelente escolha para quem quer uma câmara muito competente, Android sem grandes complicações, atualizações durante muitos anos e uma forte integração de inteligência artificial. Mas já não pode ser apresentado como uma opção quase óbvia.
Por 1.429 euros, entra directamente numa zona onde vivem alguns dos melhores smartphones do mercado.

É precisamente aqui que a comparação com o Samsung Galaxy S26 Ultra, iPhone 17 Pro Max e Xiaomi 17 Ultra se torna decisiva.

O Samsung e o iPhone apresentam vantagens claras em desempenho e autonomia; outros fabricantes conseguem oferecer carregamentos muito mais rápidos e hardware fotográfico extremamente agressivo. O Pixel responde com uma experiência diferente: fotografia computacional, software Google e uma IA que tenta participar realmente na utilização diária.


O verdadeiro trunfo do Pixel

A Google não está a tentar fabricar o smartphone com a bateria maior, o processador mais poderoso ou o carregamento mais rápido. Está a tentar fabricar o smartphone mais inteligente para a forma como usamos o telefone todos os dias.

Quando funciona, a ideia é convincente. Quando não funciona, fica a sensação de que estamos perante um excelente Pixel 10 Pro XL com algumas funções novas e uma despesa maior.

E é precisamente por isso que o Pixel 11 Pro XL é um aparelho interessante.

Não porque seja uma revolução, mas porque mostra para onde a Google acha que os smartphones vão caminhar: menos para a corrida aos números e mais para um telefone que compreenda o que estamos a fazer e tente ajudar-nos antes mesmo de lhe pedirmos.
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