Governador que se opõe a base militar de EUA perde eleições para renovar mandato em Okinawa
O governador da prefeitura de Okinawa, Denny Tamaki, perdeu as eleições este domingo para um novo mandato, frente ao candidato apoiado pelo partido da primeira-ministra, numa votação crucial para definir a transferência de uma base militar norte-americana.
Genta Koja é o primeiro candidato apoiado pelo Partido Liberal Democrático (PLD) da primeira-ministra, Sanae Takaichi, a vencer eleições nesta prefeitura desde 2010 e vai tornar-se no primeiro líder desta prefeitura insular em doze anos a apoiar o plano do Governo para realojar uma base norte-americana dentro da própria Okinawa.
Tamaki, após tomar conhecimento da derrota numa eleição que registou uma afluência às urnas de 61,57%, sublinhou perante os meios de comunicação que "esta é a decisão tomada pelo povo de Okinawa", de acordo com a agência de notícias japonesa Kyodo.
Sondagens à saída das urnas realizadas pela agência apontam que apenas 20,9% dos eleitores deram prioridade a questões relacionadas com as bases militares norte-americanas, enquanto 49,5% se centraram na economia ao decidirem o voto, numa das prefeituras com menor rendimento per capita do país asiático.
Durante a campanha, Koja enfatizou a promessa de duplicar o rendimento per capita da região através da revitalização da economia local, fortemente dependente do turismo.
O plano prevê a transferência da base de Futenma, situada na cidade densamente povoada de Ginowan, na ilha principal de Okinawa, para a zona costeira de Henoko, uma área mais afastada dos centros populacionais, na sequência de uma série de incidentes a envolver soldados norte-americanos.
O referido plano foi aprovado pelos governos japonês e norte-americano em 1996, mas a relocalização tem vindo a ser adiada devido à oposição da população e dos políticos locais, que argumentam que o projeto teria um elevado impacto ambiental e defendem que tanto esta base como outras bases dos EUA sejam transferidas para fora do território.
Num referendo não vinculativo realizado em 2019, 70% dos eleitores do arquipélago de Okinawa opuseram-se à transferência da base para dentro da região, o que representou "uma rejeição clara do plano por parte da população", como argumentou na altura Tamaki.