EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Governo abre inquérito após assassínio de Nino Vieira

Governo abre inquérito após assassínio de Nino Vieira

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, garante que a ordem constitucional do país vai ser restabelecida após o ataque que provocou a morte de Nino Vieira. O Conselho de Ministros decretou a criação de uma comissão de inquérito para investigar os atentados que mataram o Presidente guineense e o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas.

RTP /
Nino Vieira foi assassinado menos de 24 horas depois do atentado que vitimou o general Tagmé Na Waié José Sousa Dias, EPA

Ministério Público, Polícia Judiciária e Promotoria Pública do Tribunal Superior Militar da Guiné-Bissau vão dar forma a uma comissão de inquérito que terá por missão encontrar os responsáveis pelos atentados que decapitaram as lideranças política e militar do país.

O processo de formação da comissão de inquérito, decidido durante uma reunião de emergência do Conselho de Ministros, foi entregue ao procurador-geral da República.

O Executivo de Carlos Gomes Júnior decretou também sete dias de luto nacional e deixou um apelo à comunidade internacional para que continue “a apoiar os esforços que o Governo tem vindo a desenvolver no âmbito da reforma dos sectores de defesa e segurança”.

Sequência de ataques

O Presidente da Guiné-Bissau, Nino Veira, foi hoje assassinado a tiro durante um ataque à sua residência desencadeado por um alegado grupo de militares. Na véspera, um atentado à bomba havia causado a morte do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié.

Segundo uma fonte policial guineense, citada pela agência Lusa, um grupo de oito militares terá assaltado cerca das 9h00 as antigas instalações da Polícia Judiciária em Bissau, libertando os efectivos militares que se encontravam detidos desde Novembro por alegada participação num atentado contra o Chefe de Estado.

Numa declaração difundida após o assassínio do Presidente, a cúpula das Forças Armadas comprometeu-se a manter-se fiel às estruturas do poder político e às “instituições da República”.

Quanto aos eventuais responsáveis pela morte de Nino Vieira, o Estado-Maior limita-se a imputar o ataque a “um grupo de cidadãos por identificar”.

“No dia 1 de Março pelas 19h41, uma bomba colocada por indivíduos ainda não identificados explodiu no edifício principal do Estado-Maior vitimando mortalmente o general Tagmé Na Waié, tendo deixado gravemente feridos três escoltas seus quando subiam para o gabinete”, descreve o comunicado com a chancela do capitão de mar Zamora Induta.

“Não obstante as medidas tomadas para evitar possíveis dissabores, um grupo de cidadãos por identificar assaltou a residência do Presidente da República, João Bernardo Nino Vieira, tendo-o baleado até à morte”, reforça o Estado-Maior.

Gomes Júnior aponta “sentido patriótico” das chefias militares

Depois de uma reunião de emergência com o Executivo e as chefias militares, o primeiro-ministro guineense veio sustentar que a ordem constitucional do país não está em causa.

Carlos Gomes Júnior apelou à serenidade e procurou mostrar-se convicto de que a Guiné-Bissau tem condições para superar mais uma “grande crise” institucional.

“Estamos a assistir a mais uma situação anómala, mas pensamos que vamos ser capazes de ultrapassar isso”, afirmou Gomes Júnior no termo da reunião do Conselho de Ministros.

O governante guineense salientou também que o comunicado do Estado-Maior General das Forças Armadas “demonstra o alto sentido patriótico dos militares”.

Na primeira reacção aos acontecimentos em Bissau, o primeiro-ministro português lamentou o assassínio de Nino Vieira e declarou que Lisboa “está firmemente disponível para ajudar as autoridades políticas e militares” da Guiné.

José Sócrates condenou “os actos de violência que estiveram na origem deste bárbaro assassinato e também os actos de violência que estiveram na origem da morte do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas”.

Na mesma linha do primeiro-ministro, o Presidente da República, Cavaco Silva, repudiou os atentados e colocou a ênfase na necessidade de manter a calma.

CPLP envia delegação a Bissau

À entrada para uma reunião extraordinária do Comité de Concertação Permanente da CPLP, em Lisboa, o embaixador guineense junto da organização, Apolinário Mendes Carvalho, recusou o cenário da formação de uma força militar internacional para garantir a ordem em Bissau.

“Não é preciso força militar. As instituições guineenses têm capacidade para lidar com a situação”, frisou o diplomata.

A CPLP decidiu entretanto enviar a Bissau uma missão chefiada pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho.

A delegação inclui o secretário-executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, e o ministro cabo-verdiano dos Negócios Estrangeiros, José Brito.

Presidente da União Africana condena “golpe de Estado”

A situação na Guiné-Bissau já motivou o agendamento de uma reunião extraordinária do Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA), a realizar na terça-feira.

Para o presidente da UA, Jean Ping, os guineenses estão confrontados com um “golpe de Estado”.

“A situação ainda está confusa, mas aparentemente tudo foi organizado pelas Forças Armadas. É um golpe de Estado”, afirmou o responsável a partir de Addis Abeba.

Quem se recusa a descrever os ataques de Bissau como um "golpe de Estado" é o vice-chefe de Estado-Maior da Armada Zamora Induta.

"Nós viemos reafirmar ao Governo que isto não é um golpe de Estado", disse o capitão Induta à saída da reunião com o Governo.

"Simplesmente aconteceu este atentado relativamente ao Chefe de Estado-Maior General e, na ausência de chefe, criámos uma comissão que está a gerir as Forças Armadas. Infelizmente este acidente alastrou ao caso do Presidente da República", alegou.
PUB