Governo alemão "admirado" por Helmut Kohl estar contra adesão da Turquia

O governo alemão mostrou-se hoje «muito admirado» com declarações do antecessor do chanceler Gerhard Schroeder, o democrata-cristão Helmut Kohl, contra a adesão da Turquia à União Europeia, lembrando-lhe que antes defendeu o contrário.

Agência LUSA /

Em entrevista publicada hoje pelo jornal Frankfurter Allgemeine, Helmut Kohl afirmou-se convencido de que a Turquia não conseguirá cumprir os Critérios de Copenhaga sobre o respeito pela democracia e os direitos humanos, condição essencial para aderir à União Eruropeia.

O porta-voz do actual governo, Bela Anda, cirticou as afirmações do ex-chanceler, dizendo que estas «não estão na linha de posições anteriormente assumidas pelo próprio Helmut Kohl, nem das posições de todos os governos alemães desde 1963».

Neste contexto, Anda citou aos jornalistas afirmações proferidas em 22 de Novembro de 1997 por Helmut Kohl, quando era chefe do governo, e se declarou de acordo em dar uma oportunidade à Turquia de entrar para a União Europeia.

Simultaneamnete, o porta-voz do executivo sublinhou que Gerhard Schroeder, que Kohl acusa na mesma entrevista de só querer angariar votos dos turcos que se naturalizaram alemães, ao defender negociações de adesão entre Ancara e a União Europeia, «se baseou até agora na política de continuidade de todos os chanceleres alemães desde 1963», quando se falou pela primeira vez na possibilidade de adesão da Turquia à União Europeia.

Quanto à decisão que os Chefes de Estado e de governo da União Europeia vão tomar na quinta e sexta-feira em Bruxelas, «trata-se de dar uma possibilidade credível à Turquia de se tornar membro da União, mas também de um processo negocial sem resultado pré-definido, que pode durar entre 10 e 15 anos», disse Anda.

Na entrevista ao Frankfurter Allgemeine, Helmut Kohl considerou «desleal e pouco sincero» que «alguns» prometam à Turquia a entrada na União Europeia, embora saibam que não terão de cumprir as suas promessas.

O ex-chanceler alemão desaconselhou também a admissão da Ucrânia na UE, porque «tem de se ter em conta o seu envolvimento estratégico, sobretudo a vizinhança com a Rússia».

Kohl mostrou-se ainda convicto de que a União Europeia atingirá a sua «extensão máxima» após a admissão da Bulgária, Roménia e outros países dos Balcãs, e de que «a União Política não está em condições de suportar mais do que isso».


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