Governo angolano fala em "momento histórico" no repatriamento do corpo do general "Ben Ben"
Luanda, 13 set (Lusa) - O Governo de Luanda considerou hoje que o repatriamento dos restos mortais do general angolano Arlindo Chenda Pena "Ben Ben" para Angola constitui um "ato de grande significado histórico" para o país.
Para o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola, Francisco Queirós, a trasladação para Angola, hoje, dos restos mortais do general, falecido na África do Sul em 1998 - à data chefe adjunto do Estado-Maior das Forças Armadas Angolanas (FAA), depois da carreira militar nas FALA, antigo braço armado da UNITA -, constitui mais uma reaproximação dos cidadãos angolanos, após uma guerra civil de quase 30 anos.
"Foi um ato de grande significado histórico para o nosso povo, porque se trata de um filho de Angola que morreu há 20 anos, tinha um grau militar dos mais elevados, fazia parte da FAA e que morreu na África do Sul. As circunstâncias em que morreu na altura foi por doença", afirmou Francisco Queirós, na cerimónia oficial de trasladação.
O ministro angolano ressalvou que o repatriamento dos restos mortais de "Ben Ben" só não ocorreu mais cedo porque Angola vivia um contexto de guerra civil, "caracterizado por muitos bloqueios, muitas tensões e também muita hostilidade entre irmãos".
"Nesse momento, não foi possível organizar a cerimónia e as honras a que tinha direito. Não foi possível trasladar o corpo para Luanda e ser enterrado em Angola. Agora foram criadas as condições", sublinhou, acrescentando que o Presidente angolano, João Lourenço, teve um papel "determinante".
"O papel do Presidente João Lourenço deve ser destacado, porque foi graças à intervenção dele junto de [o chefe de Estado da África do Sul, Cyril] Ramaphosa que foi possível desencadear todo o processo. O Governo sul-africano e Ramaphosa deram todo o seu esforço no sentido de facilitar ao máximo todo os procedimentos para que o corpo fosse exumado e identificado, o que permitiu organizar uma cerimónia muito condigna no aeroporto [Bas Militar de Karkloof, a sudoeste de Pretória] para fazer a entrega simbólica a Angola", disse.
Antes da criação das FAA, na década de 1990, com a unificação das duas forças militares em combate em Angola, o general "Ben Ben" chegou a ser vice-chefe do Estado-Maior das FALA, o braço armado da UNITA.
O ministro Francisco Queirós, que chefiou a delegação angolana responsável pelo processo de trasladação dos restos mortais do general, agradeceu à África do Sul por ter correspondido ao pedido do chefe de Estado angolano.
Por seu lado, Khulu Mbatha, conselheiro para as Relações Internacionais do Presidente Cyril Ramaphosa, destacou a "felicidade" do Governo sul-africano poder ter ajudado na trasladação do corpo do general "Ben Ben", o que, disse, contribuiu para apoiar o processo de reconciliação nacional em Angola e de consolidação da paz.
"As relações bilaterais entre os dois povos e países saem reforçadas com esta ação", sublinhou, lembrando que o corpo estava "bem preservado numa campa no cemitério de Zandfontein, em Pretória.
O corpo de "Ben Ben", por se tratar de uma alta patente militar, foi embalsamado para que, mais tarde, houvesse a possibilidade de ser entregue à família de forma "digna".
Após a chegada a Luanda, onde o aparelho da Força Aérea Nacional Angolana (FANA) aterrou às 16:45 locais (mesma hora em Lisboa), o corpo de "Ben Ben" foi recebido com honras militares na presença de várias individualidades ligadas ao Governo, partidos políticos e forças armadas.
O corpo foi, depois, transportado, num cortejo fúnebre até ao Regimento de Infantaria 20, em Luanda, onde será velado e permanecerá até sexta-feira de manhã para, às 09:00 locais, ser prestada uma homenagem pelo Governo, pelas Forças Armadas e demais organizações partidárias e da sociedade civil.
Após o ato, o corpo será transportado de avião para o Cuito e depois para o Andulo, onde será sepultado.