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Governo britânico quer proibir cruzes cristãs no trabalho

Governo britânico quer proibir cruzes cristãs no trabalho

Os trabalhadores britânicos devem ser proibidos de usar cruzes ao peito no trabalho e a desobediência pode ser punida com o despedimento. É esta a posição que o Governo britânico vai defender no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, numa ação colocada por duas mulheres que argumentam que devem ser autorizadas a usar esse símbolo cristão.

RTP /
Duas britânicas foram despedidas por não terem acatado a ordem para removerem as cruzes que traziam ao peito, enquanto estivessem no local de trabalho steffy. / Flickr.com

Segundo um documento revelado pelo Sunday Telegraph, os responsáveis do Governo britânico baseiam a sua posição no facto de a exibição da cruz não ser "obrigatória" na fé cristã, o que pode servir de justificação para um despedimento com justa causa, caso os trabalhadores insisitam em exibi-la nos seus locais de trabalho.

O antigo arcebispo de Cantuária, Lord Carey, mostrou-se extremamente desagradado com a posição oficial e acusou o Governo e os tribunais de tentarem "impor" comportamentos aos cristãos. Lord Carey defendeu ainda que este é mais um exemplo do cada vez mais frequente afastamento do cristianismo da vida oficial.

O caso que está a ser julgado no Tribunal de Estrasburgo defende que qualquer pessoa tem direito a usar um crucifixo de acordo com o artigo 9º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Diz o ponto 1 desse artigo: "Qualquer pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de crença, assim como a liberdade de manifestar a sua religião ou a sua crença, individual ou colectivamente, em público e em privado, por meio do culto, do ensino, de práticas e da celebração de ritos."

As britânicas que levaram o caso ao Tribunal Europeu dos Direiitos do Homem são Nadia Eweida, ex-hospedeira da British Airways, e Shirley Chaplin, antiga enfermeira, que foram despedidas por não terem acatado a ordem para removerem as cruzes que traziam ao peito, enquanto estivessem no local de trabalho. Ambas recorreram da decisão e perderam, pelo que decidiram agora avançar para um tribunal internacional.

Segundo os advogados das queixosas, o Governo está a levar os seus argumentos longe de mais, porque "manifestar" a sua religião, como prevê o artigo 9º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, é muito mais do que praticar atos que sejam "obrigatórios" segundo as leis religiosas. Aliás, argumentam os advogados, os cristãos estão a ser mais prejudicados que os crentes de outras religiões que são autorizados a usar o turbante ou o lenço hijab nos seus locais de trabalho.

O caso deve ser julgado no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos no final deste ano.
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