Governo chinês lança Instituto Confúcio para difundir o mandarim no mundo
A China "empossou" um novo "embaixador" para promover a língua e cultura chinesa noutros países, numa altura em que o número de estudantes de mandarim cresce ao ritmo do aumento da importância do país no mundo.
No final deste ano, o governo chinês lançou o Instituto Confúcio com o plano de criar uma rede pelo mundo fora nos próximos anos, "para dar resposta à grande procura que tem havido".
"O ensino da língua chinesa não é só uma preocupação da China, mas também de outros países que acham necessário o domínio do chinês para fazer comércio com a China", refere Zhang Guoqing, vice-director do Gabinete Nacional de Ensino do Chinês como Língua Estrangeira.
De um idioma cuja estranha pronúncia e caracteres era estudado quase exclusivamente por sinólogos no passado, o chinês está a tornar- se cada vez mais numa língua que muitos estrangeiros aprendem como mais um instrumento de trabalho.
"A maior parte dos estrangeiros que agora estuda chinês já não é como no passado. Antes eram sobretudo pessoas do meio académico, que falavam um chinês perfeito e investigavam a fundo sobre a língua e cultura chinesa", assinala Zhang Guoqing, em entrevista à Agência Lusa.
"Agora, à medida que os contactos da China com o exterior aumentam, a procura ao nível do chinês prático, apenas para a comunicação, está a aumentar muito rapidamente", acrescenta o vice- director do organismo que tutela o Instituto Confúcio.
Em duas décadas de reformas capitalistas e abertura da China comunista ao mundo, o número de alunos estrangeiros que estudam no país mais populoso do mundo aumentou a um ritmo anual na ordem dos 35 por cento.
No ano passado, em 77.000 estudantes estrangeiros que a China recebeu, 68 por cento vieram para o continente chinês para aprender o mandarim ou "putonghua" ("língua comum", conforme o nome oficial), segundo números chineses.
Pelo mundo fora, a China estima que há à volta de 30 milhões de pessoas a aprender chinês, em diferentes níveis, em cerca de 100 países.
O governo chinês diz ter chegado a hora da China participar de um modo mais activo na tarefa de divulgar a língua e cultura chinesa no mundo, cujo ensino no exterior tem sido feito sobretudo por locais e chineses da diáspora.
"Qualquer país valoriza o trabalho de promoção da sua língua e cultura no mundo. A força de um país não são sós os seus produtos, é também a difusão da sua língua e cultura", assinala o vice-director do Gabinete, sob a alçada do Ministério da Educação da China.
Os modelos de inspiração da China são os institutos criados por outros países, já implementados pelo mundo fora, incluindo no continente chinês: o British Council, da Inglaterra, o português Instituto Camões ou o alemão Instituto Goethe.
O primeiro Instituto Confúcio foi inaugurado no final de Novembro, na Coreia do Sul - actual terceiro maior parceiro comercial da China -, o país que mais alunos envia para o continente chinês para aprender o idioma, à frente do Japão e dos Estados Unidos.
Segundo Zhang Guoqing, "há muitos" planos para abrir outros Institutos Confúcio no exterior, incluindo nos Estados Unidos e na Suécia, mas os projectos ainda estão a ser negociados.
Uma das missões fundamentais do novo "embaixador" da língua e cultura chinesa no mundo será quebrar o mito de que é difícil aprender chinês.
"Toda a gente pensa que é muito difícil aprender chinês. Esta é de facto uma língua complicada, mas agora, com os novos métodos de ensino, aprender chinês pode ser mais descontraído e fácil", indica.
Os mitos criados em relação à aprendizagem do mandarim devem-se, em grande medida, ao facto da China só em finais dos anos 80 ter começado a empenhar-se a fundo no desenvolvimento de novas metodologias para ensinar chinês a estrangeiros.
"A nossa história ao nível do ensino do chinês como língua estrangeira não é tão longa como a do inglês ou francês", reconhece o vice-director do organismo governamental com a tarefa de coordenar o ensino de chinês a estrangeiros, criado em 1987.
Outra das grandes missões do Instituto Confúcio é explicar as peculiaridades da cultura da China milenar, para ajudar a eliminar obstáculos nos contactos entre chineses e outros povos.
"Os negócios de muitos estrangeiros na China não correm bem, não é só por causa dos produtos. Um importante motivo é por não compreenderem a forma de pensar dos chineses", assinala Zhang.
Uma outra tarefa fundamental do Gabinete de Zhang Guoqing, para cumprir a missão de aumentar a difusão do língua e cultura da China no mundo, é "aumentar" a formação de professores chineses para serem enviados para o exterior.
Pequim já tem mandado professores para outros países, mas os cerca de 3.000 chineses especializados no ensino da língua a estrangeiros, já são insuficientes para dar resposta à procura de estudantes estrangeiros na China.
Para ajudar a preencher esta falha, e enquanto não se formam mais professores, a China iniciou, entretanto, no ano passado, um programa de voluntariado, para recrutar candidatos no país e enviar para os países que apresentam pedidos a Pequim.