Governo da Bolívia anuncia que Repsol e Petrobras aceitaram nacionalizações

O governo da Bolívia anunciou quarta-feira que a empresa espanhola Repsol YPF e a brasileira Petrobras aceitaram a nacionalização dos hidrocarbonetos decretada segunda-feira e que estão dispostas a negociar a alteração dos contratos.

Agência LUSA /

"Durante as últimas horas o governo recebeu cartas da Repsol, da Petrobras e de outras empresas que assinalam taxativamente que aceitam a disposição do decreto supremo", promulgado pelo presidente Evo Morales, afirmou o ministro do planeamento, Carlos Villegas.

A versão de Villegas contrasta com a reacção da Repsol YPF e da Petrobras, que recusaram o plano do governo boliviano e, apesar de se terem mostrado dispostas a negociar, congelaram os seus investimentos no país e advertiram que podem recorrer aos tribunais internacionais para defender os seus interesses.

Num contacto com os jornalistas no Palácio do Governo em La Paz, o ministro boliviano indicou também que as companhias afectadas "estão dispostas a entrar num processo de negociação" para adaptar os seus contratos ao novo cenário do sector energético.

Na passada segunda-feira, coincidindo com o Dia do Trabalhador, Evo Morales surpreendeu as multinacionais petrolíferas com interesses na Bolívia, bem como os governos dos países a que estas pertencem, com a promulgação de um decreto para nacionalizar o sector, uma das suas promessas eleitorais.

A medida, anunciada 24 horas depois de Morales regressar de uma cimeira em Havana com os presidentes de Cuba, Fidel Castro, e da Venezuela, Hugo Chavez, foi mais radical e drástica que o esperado, com a confiscação de acções e a ocupação militar de campos e refinarias.

O decreto impõe o "controlo absoluto" dos hidrocarbonetos por parte da empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) em aspectos como a comercialização no mercado interno, a exportação e a fixação de preços, volumes e condições.

Desta forma, as empresas ficarão na Bolívia como investidores sem capacidade de decisão, quando até agora dispunham de contratos de risco partilhado e geriam directamente o negócio.

A nacionalização foi recebida com inquietação pela Repsol YPF, que assegurou que vai empreender "todas as acções ao seu alcance para proteger os activos e preservar o emprego" dos seus trabalhadores.

Também o governo espanhol reagiu e prevê enviar nos próximos dias uma delegação de alto nível à Bolívia para conversar com as autoridades bolivianas sobre os efeitos da reforma.

Entretanto, a Petrobras anunciou quarta-feira que congelou todos os seus investimentos e actividades na Bolívia e advertiu que vai recusar qualquer aumento do preço do gás que importa do país vizinho e detalhou os recursos que utilizará, entre eles os tribunais internacionais, para defender os seus interesses.


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