Governo da Colômbia e guerrilha ELN retomam conversações de paz em novembro
O Governo da Colômbia e o grupo de guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) confirmaram hoje em Caracas o reatamento na primeira semana de novembro das conversações de paz, abandonadas desde 2019.
Delegados de ambas as partes convocaram uma conferência de imprensa na capital venezuelana, onde, acompanhados por representantes da Igreja Católica e de Cuba e da Noruega, ambos países garantes, confirmaram o reinício das negociações.
Horas depois, o Presidente colombiano, Gustavo Petro, partilhou nas suas redes sociais um comunicado conjunto em que tanto o Governo como o ELN confirmam o retorno ao caminho dos acordos e dos avanços obtidos nas conversações de 2016.
"Anuncia-se o restabelecimento do processo de diálogo na primeira semana do mês de novembro de 2022", indica a nota, na qual também se refere que a participação da sociedade civil nas conversações de paz é "essencial".
O Alto-Comissário para a Paz na Colômbia, Ivan Danilo Rueda, o primeiro comandante do ELN, António García, e o segundo comandante da guerrilha, Pablo Beltrán, assinam o comunicado, no qual também se agradece o papel dos países garantes, da Igreja Católica e da Missão de Verificação das Nações Unidas.
Já na segunda-feira, a delegação negocial do ELN se deslocou de Cuba para a Venezuela para iniciar as conversações com representantes do Estado colombiano, depois de o Governo ter desistido da exigência de extradição de alguns líderes guerrilheiros.
"Elimina-se naturalmente o pedido de extradição. Falar com uma pessoa procurando a paz e, ao mesmo tempo, estar a solicitar a sua extradição seria um disparate e seria também uma espécie de declaração de guerra eterna -- nós estamos comprometidos com a paz total", explicou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Álvaro Leyva.
Assim, o Governo da Colômbia e a guerrilha do Exército de Libertação Nacional retomam o caminho do diálogo para alcançar a paz, suspenso desde 2018, com a chegada à Presidência da República de Iván Duque, e definitivamente abandonado após um atentado do ELN a uma escola de Polícia em Bogotá em 2019, que fez 23 mortos e quase cem feridos.
Agora, o novo chefe de Estado, Gustavo Petro, insistiu em repetidas ocasiões na necessidade de chegar a acordo sobre o fim dos confrontos e mostrou-se, inclusive, a favor de alcançar um pacto de "paz total" com todos os agentes armados da Colômbia.