Governo da Geórgia promete investigação após eleições a guerra de 2008 com Rússia
O partido governamental da Geórgia, Sonho Georgiano, anunciou hoje que, após as eleições legislativas de outubro, será promovida uma investigação às causas do conflito com a Rússia, concluído há 16 anos com a independência de duas regiões.
O comité político do Sonho Georgiano emitiu um comunicado, divulgado pelo diário Resonance Daily, no qual acusa o opositor Movimento Nacional Unido -- que na ocasião dirigia o Governo -- de cometer "inúmeros crimes" contra o país, sendo o conflito de 2008 "o maior e o mais sério" de todos.
"Para garantir o irreversível desenvolvimento do nosso país e estabelecer uma paz duradoura na Geórgia, é de suprema importância que aqueles acontecimentos possuam uma adequada avaliação jurídica. Prometemos à população que tal ocorrerá após as eleições", indica o texto do Sonho Georgiano.
Segundo o partido governamental, os mais de dois anos de guerra na Ucrânia provaram que o Movimento Nacional Unido "pretendeu arrastar a Geórgia" para o conflito. Desta forma, precisou que "o processo judicial público" irá clarificar este assunto, e que o próprio partido se apresentará como "parte reclamante" do processo.
"[O Movimento Nacional Unido] Terá de responder coletivamente pelo crime de traição cometido contra o povo. Sublinhamos que isto não ameniza os crimes cometidos pela Rússia, nem o facto de a Rússia ser responsável pela ocupação dos territórios do nosso país", indica o partido governamental georgiano numa referência às regiões pró-russas da Abkházia e Ossétia do Sul, que autoproclamaram a independência.
O conflito na Geórgia, também considerado como uma invasão russa do país vizinho, e ex-república soviética, iniciou-se quando o então Presidente georgiano Mikheil Saakashvili ordenou um ataque contra o território da Ossétia do Sul, provocando a resposta da Rússia.
Após cerca de uma semana de conflito, foi concluído um acordo de cessar-fogo que foi considerado uma vitória para a Rússia, e para as duas regiões secessionistas, que declararam a independência, não reconhecida pela Geórgia. A Rússia também optou por evitar um reconhecimento oficial.