Governo da Guiné-Bissau pede parceria à ONU para apoio às crianças talibé
O Governo da Guiné-Bissau, através da ministra dos Negócios Estrangeiros, Suzi Barbosa, pediu hoje ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e ao Programa Alimentar Mundial apoio para as crianças talibé, com alimentação e cuidados de saúde.
"O Presidente da República ouviu o apelo da associação dos imames e dos mestres corânicos no sentido de receberem apoio financeiro para alimentar essas crianças para não terem de as mandar para as ruas e o Governo solicitou o apoio do PAM [Programa Alimentar Mundial] e da Unicef no sentido de nos ajudarem a ter uma solução sustentável", disse Suzi Barbosa.
Segundo a ministra, o número de crianças talibé tem vindo a aumentar.
"É uma situação preocupante, mas também não podemos ficar parados deixando as crianças numa situação vulnerabilidade. Enquanto Governo temos de garantir os direitos fundamentais às crianças", disse Suzi Barbosa.
A ministra explicou que foi nesse sentido que o Governo solicitou ao PAM e à Unicef ajuda para garantir com frequência, de forma permanente, o acesso tanto à alimentação, como à escola, não só corânica, mas também à escola pública oficial, e também aos cuidados de saúde.
"Esse é um dever nosso que temos de garantir e assim exigir que essas crianças não estejam na rua a mendigar, porque têm nas suas casas ou nas casas dos seus mestres condições para ali estarem, estudarem e alimentarem-se", afirmou a chefe da diplomacia guineense.
Suzi Barbosa apelou também a todos as pessoas de boa vontade para apoiarem as escolas corânicas.
A ministra salientou que é importante aprender na escola corânica, mas esse conhecimento deve ser associado ao currículo escolar nacional para que mais tarde possam ter acesso ao mercado de trabalho.
"Hoje somos mais uma vez chamados a colaborar com o Governo da Guiné-Bissau desta vez para contribuir para tirar as crianças vulneráveis das ruas, colocá-las nas escolas e alimentá-las. Para nós é uma grande honra expandir o nosso programa de assistência alimentar também a estas crianças vulneráveis", afirmou o representante do PAM em Bissau, João Manja.
O responsável afirmou também que o PAM fica satisfeito em saber que ao ajudar a tirar as crianças da miséria está a contribuir para as afastar da mendicidade, do trabalho infantil, de casamentos prematuros, da prostituição e de outros malefícios.
A representante da Unicef em Bissau, Etona Ekole, disse que a situação das crianças talibé é "igualmente uma grande preocupação" da agência da ONU.
"A Unicef em colaboração com os seus parceiros vai continuar a dar o apoio necessário para assegurar que as crianças nesta situação recebem a proteção necessária para assegurar o seu bem-estar e assegurar igualmente a sua aprendizagem com base no currículo nacional e acesso aos cuidados de saúde", disse Etona Ekole.
O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, proibiu a mendicidade de crianças talibé, estudantes do Corão, no país, e o Governo decretou que a partir de segunda-feira qualquer mestre que ponha uma criança a mendigar terá de responder perante a justiça.