Governo da Guiné-Bissau quer ver Bolama reconhecida como Património Mundial
O governo guineense vai apresentar um projecto à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) visando elevar Bolama à categoria de Património Mundial da Humanidade, disse hoje à Agência Lusa fonte oficial.
Segundo a fonte, o projecto será "observado" no terreno pelo director-geral da UNESCO, numa visita que Koichiro Matsuura fará à Guiné-Bissau em Abril próximo, a convite do primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior.
A fonte adiantou que a vinda de Matsuura ficou acertada durante a recente deslocação a Paris de Carlos Gomes Júnior, quando ambos estiveram presentes numa exposição sobre o património cultural e cultural da Guiné-Bissau, realizada na "cidade-luz".
Bolama, considerada a ilha "mais continental" do arquipélago dos Bijagós, dado a sua proximidade ao continente, foi, oficialmente, a primeira capital da administração colonial da então Guiné portuguesa, depois de passagens por Cacheu (norte) e Bissau.
Bolama ascendeu a capital a 18 de Março de 1879, quando os portugueses proclamaram o ainda mal definido território da "Província da Guiné" que, a partir daí, seria administrado independentemente de Cabo Verde.
A 19 de Dezembro de 1941, a capital da Guiné Portuguesa foi transferida de Bolama para Bissau, onde tinham começado a ser construídas novas infra-estruturas, nomeadamente um porto, que garantia melhores condições que o de Bolama, cidade que, a partir daí, entrou em decadência.
Segundo o historiador e sociólogo guineense Peter Mendy, no seu livro "Colonialismo Português em África - A Tradição da Resistência na Guiné-Bissau (1879/1959), a nova capital surgiu ao mesmo tempo que a comunidade internacional reconheceu que o território pertencia a Portugal, através do presidente dos Estados Unidos Ulysses Grant.
O processo de criação da Reserva da Biosfera de Bolama/Bijagós é um "belo exemplo" de cooperação entre a UNESCO, União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP) na planificação costeira da Guiné-Bissau.
A UNESCO financia mais de duas dezenas de projectos na Guiné- Bissau, maioritariamente vocacionados para a Educação e Cultura, tendo recentemente Carlos Gomes Júnior expresso o reconhecimento pelo papel preponderante que esta agência das Nações Unidas trouxe à reconstrução do sistema educativo no país.