Governo da Venezuela realiza reunião para iniciar diálogo com oposição
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou que membros do Governo interino se reuniram com representantes de partidos da oposição para iniciar um diálogo político, proposto pela presidente interina, Delcy Rodríguez.
O deputado afirmou que o diálogo visa resolver problemas específicos, alcançar "vitórias rápidas" e encontrar mecanismos de participação política "com garantias suficientes" para que "qualquer pessoa que se queira empenhar na política" o possa fazer sem obstáculos.
Horas antes, parte da oposição venezuelana - onde se inclui Henrique Capriles, que por duas vezes foi candidato presidencial - informou que aceitou um convite de Delcy Rodríguez para iniciar um processo de diálogo.
Numa mensagem publicada na plataforma Telegram, na quarta-feira, Jorge Rodríguez explicou que a reunião serviu para "consolidar uma agenda de trabalho" para a Comissão para a Coexistência Democrática e a Paz.
O presidente do parlamento acrescentou que a reunião teve como objetivo definir uma agenda para "fortalecer a paz" e a "soberania" da Venezuela, sem adiantar mais pormenores.
A oposição sublinhou que sete movimentos políticos, incluindo o partido União e Mudança, de Henrique Capriles, aceitaram o convite de Delcy Rodríguez para discutir os problemas dos cidadãos.
"Decidimos assistir com responsabilidade. Participar neste espaço não é um gesto qualquer, muito menos confortável, mas chegamos a este momento com uma Venezuela profundamente ferida", afirmou a oposição, num comunicado publicado pelo deputado Stalin González, chefe da bancada parlamentar Liberdade, na rede social X.
O grupo da oposição afirmou que a convivência democrática exige respeito, pluralidade e o fim de práticas que têm alimentado "o medo, a perseguição e a existência de presos políticos".
"Um bom começo pode ser a lei de amnistia, que permita avançar para a reconciliação nacional", acrescentou.
Em 30 de janeiro, a presidente interina anunciou a proposta de uma lei de amnistia para libertar os presos políticos detidos desde 1999 até à atualidade, período que abrange os governos do chavismo, embora de momento se desconheçam os detalhes.
Em 23 de janeiro, Delcy Rodríguez propôs que se convoque a um "verdadeiro diálogo político" que inclua tanto setores políticos "convergentes" como "divergentes", uma tarefa que atribuiu ao irmão e presidente do parlamento, Jorge Rodríguez.
A presidente interina pediu então que esse diálogo tenha "resultados concretos, imediatos" e que seja venezuelano, ou seja, no qual "não se imponham mais as ordens externas, nem de Washington, nem de Bogotá, nem de Madrid".
A reunião não incluiu a maior coligação de oposição da Venezuela, liderada por María Corina Machado, que mantém a exigência de reconhecimento da vitória de Edmundo González Urrutia nas presidenciais de julho de 2024, contra Nicolás Maduro.