Governo de Copenhaga promove novo referendo sobre adesão da Dinamarca ao euro
Copenhaga, 22 Nov (Lusa) - O governo liberal-conservador dinamarquês pretende realizar um novo referendo sobre a adopção do euro pela Dinamarca, anunciou hoje o executivo de Copenhaga, ao apresentar o seu novo programa.
"O governo deseja que os eleitores, num referendo, tenham a possibilidade de se pronunciar acerca das derrogações (isenções) dinamarquesas relativas à UE", indica o programa.
Os dinamarqueses rejeitaram num referendo, em 28 de Setembro de 2000, a entrada do seu país na zona euro, por 53 por cento dos votos.
A Dinamarca, que aderiu em 1973 à UE (então Comunidade Económica Europeia - CEE), obteve, em 1993, quatro derrogações após a recusa, por referendo, do Tratado de Maastricht, em Junho de 1992.
Estas derrogações respeitam à moeda única, à defesa comum, à cooperação judicial e à cidadania europeia.
Permitiram que o governo organizasse uma segunda consulta popular, que resultou na adopção pela Dinamarca do Tratado de Maastricht, que abriu caminho à criação da moeda única europeia.
Numa conferência de imprensa, o primeiro-ministro Anders Fogh Rasmussen não referiu se os dinamarqueses serão chamados a pronunciar-se de uma só vez sobre o conjunto das isenções, ou sobre cada uma delas separadamente, refere o diário Politiken.
A coligação liberal-conservadora, no poder há seis anos e reconduzida a 13 de Novembro último, após eleições legislativas antecipadas, apresentou hoje o seu novo programa, após uma semana de negociações em que participaram todos os partidos com assento no parlamento de Copenhaga.
O governo pronunciou-se também a favor de uma ratificação rápida do novo Tratado europeu, que foi aprovado em Lisboa, em Outubro, e substituirá a abandonada Constituição Europeia, rejeitada em França e na Holanda, em 2005, também em referendos.
"O governo pretende trabalhar para uma rápida ratificação do novo Tratado europeu. Este Tratado garante uma Europa mais democrática e mais eficaz, com um papel internacional reforçado. Chegou a hora de nos concentrarmos nos resultados concretos da política realizada pela UE", lê-se no programa, um documento de 75 páginas.