Governo de Luanda retira mais 167 famílias do Bairro da Boavista
O Governo Provincial de Luanda retirou 167 famílias que moravam em barracas na zona da Boavista, realojando-as no Bairro do Zango, arredores da capital angolana, no quadro de um programa habitacional de emergência.
As famílias abrangidas por esta operação moravam em construções precárias feitas com chapa, madeira e cartão, que se encontravam na encosta do Miramar, uma zona considerada de risco.
"As pessoas que moram naquela área são muitas vezes vítimas de desabamentos de terras, especialmente na época das chuvas", afirmou Manuel Marta, administrador municipal das Ingombotas.
Manuel Marta salientou ainda o facto daquela zona da cidade, situada junto ao Porto de Luanda, possuir "péssimas condições de saneamento básico, susceptíveis de provocar a contaminação de várias doenças".
Segundo o administrador municipal, citado pela agência de notícias angolana ANGOP, as barracas onde moravam as famílias transferidas hoje de manhã "foram destruídas e a zona foi vedada para impedir o aparecimento de novas construções".
A próxima operação de realojamento de famílias que moram na zona da Boavista está prevista para sábado e deverá abranger mais 100 famílias, que serão transferidas para o Zango e a Sapú, dois bairros situados no município de Viana, nos arredores de Luanda.
Nos últimos cinco anos, mais de três mil famílias que residiam em zonas consideradas perigosas de Luanda foram transferidas para Viana ao abrigo do programa habitacional de emergência.
As autoridades angolanas iniciaram a 01 de Julho de 2001 o processo de realojamento das cerca de 12 mil famílias que residiam na Boavista, que estão a ser instaladas em casas construídas em terrenos situados em Viana, a mais de 30 quilómetros do centro da capital angolana.
A retirada destas famílias é justificada pelas autoridades com o facto das suas casas terem sido construídas numa escarpa que não apresenta condições de segurança, sendo frequentes os desabamentos de terras durante a estação chuvosa.
Muitos destes acidentes provocaram vítimas mortais entre os habitantes da Boavista.
Apesar disso, o processo de transferência foi fortemente contestado pela população no início da sua aplicação devido ao facto de estarem a ser provisoriamente realojadas em tendas.
Na altura chegaram a ocorrer confrontos com as forças de segurança, de que resultaram vítimas mortais e um grande número de feridos.
As suas queixas tinham, no entanto, justificação e a situação em que estavam a ser instaladas mereceu críticas do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, durante uma visita que efectuou ao Bairro do Zango em finais de Outubro de 2001.
Nessa ocasião, o presidente angolano admitiu que a construção das casas estava a ser feita a um ritmo muito lento, prometendo desenvolver todos os esforços para que a situação fosse alterada.
Para a população da Boavista merecem também criticas o facto de estarem a ser retiradas de uma zona situada no centro de Luanda e transferidas para uma área muito distante da zona urbana, o que implica graves consequências ao nível da sua vida profissional e da situação escolar dos filhos.