Governo de transição dá pensão sobrevivência à viúva de Amílcar Cabral

Bissau, 11 jul (Lusa) - O governo de transição da Guiné-Bissau decidiu hoje passar a atribuir uma pensão de sobrevivência à viúva de Amílcar Cabral, fundador das nacionalidades guineense e cabo-verdiana, anunciou o porta-voz do executivo.

Lusa /

Segundo Fernando Vaz, a decisão foi tomada numa reunião extraordinária do conselho de ministros, realizada hoje e que analisou, entre outros assuntos, a atribuição do montante mensal de cinco milhões de francos CFA (7.600 euros) a Ana Maria Cabral.

"Este governo de transição encontrou uma situação inacreditável, ou seja, das 400 pessoas que recebem uma pensão de sobrevivência a família de Amílcar Cabral não gozava desse direito", disse Fernando Vaz, também ministro da presidência do Conselho de Ministros.

"Houve várias solicitações da família de Amílcar Cabral no sentido de que o seu pedido fosse aceite, mas ao longo dos 39 anos da nossa independência isso não aconteceu. Os familiares, inclusive, punham a hipótese de intentar uma ação contra o Estado da Guiné-Bissau", notou Fernando Vaz, ao justificar a decisão do atual Governo.

"Na instrução do processo foi-lhes pedida uma série de documentos, até a certidão de óbito do herói nacional Amílcar Cabral (...) mas não foi tomada nenhuma decisão", adiantou o porta-voz do governo de transição.

Fernando Vaz frisou que, em pouco mais que um mês de exercício, o "seu" governo decidiu hoje passar a atribuir uma pensão de sobrevivência a Ana Maria Cabral, a partir deste mês de julho.

"O Governo de transição entende ser um ato de justiça atribuir uma pensão de sobrevivência à viúva de Amílcar Cabral, no valor de cinco milhões de francos CFA, um direito que lhe é negado há muitos anos", afirmou o porta-voz, numa crítica implicita nomeadamente a Carlos Gomes Júnior, o primeiro-ministro deposto e líder do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), partido fundado por Amílcar Cabral.

"Não basta exibirmos a `sumbia` de Amílcar Cabral e a partir daí dizer que defendemos Amílcar Cabral. É a partir de atos, é na prática que se mostra quem defende e quem não defende", sublinhou Vaz, reafirmando que a atribuição da pensão é um ato de justiça que a lei determina e que agora o governo cumpre.

Sumbia é um gorro tradicional guineense, usado por Carlos Gomes Júnior, em homenagem a Cabral que a celebrizou quando dirigia a guerrilha do PAIGC durante a luta armada pela independência do país. Alguns militantes do PAIGC usam a sumbia.

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