Governo do Brasil nega irregularidades na compra de vacina

por Lusa
O ministro Onyx Lorenzoni está acusado de irregularidades na compra da vacina Covaxin António Lacerda - EPA

Um ministro brasileiro negou irregularidades nas negociações da compra da vacina contra a covid-19 Covaxin, acusou o deputado que revelou o caso de "mentir" e informou que o funcionário que fez a denúncia será investigado.

Em conferência de imprensa em Brasília, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, acusou o deputado da base aliada do governo Luis Claudio Miranda de "traição" e de "mentir" sobre o contrato para a compra da vacina indiana Covaxin.

Onyx afirmou ainda que o presidente, Jair Bolsonaro, determinou a abertura de um inquérito para investigar "as atividades" do funcionário do Ministério da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda, além das declarações do seu irmão, o deputado Luis Claudio Miranda.

"O Presidente da República determinou (...) que a Polícia Federal abra uma investigação sobre as declarações do deputado Luis Claudio Miranda, sobre as atividades do seu irmão, funcionário público do Ministério da Saúde, e sobre todas essas circunstâncias expostas", declarou Onyx.

"Deus está vendo, mas o senhor (deputado Miranda) não vai entender-se só com Deus, vai se entender com a gente também. (...) o senhor vai pagar pela irresponsabilidade, mau caráter, pela má fé, pela denúncia caluniosa, pela produção de provas falsas", disse, em tom de ameaça.

Alegada irregularidade

Em causa estão revelações feitas no início da semana pelo jornal Estado de S.Paulo que, após ter acesso a documentos do Ministério das Relações Exteriores, noticiou que o governo brasileiro comprou a Covaxin por um preço 1.000% mais caro do que, seis meses antes, era anunciado pelo fabricante.

Após identificar indícios de crime no contrato de aquisição da vacina, o Ministério Público iniciou uma investigação à compra pelo governo federal.

Já na quarta-feira, o deputado federal Luis Claudio Miranda afirmou que Bolsonaro foi alertado para as supostas irregularidades no contrato de compra da vacina indiana Covaxin.
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