Governo do Equador acusado de tentar impedir oposição de concorrer às eleições

Governo do Equador acusado de tentar impedir oposição de concorrer às eleições

Quatro partidos da oposição denunciaram que que o Governo do Equador pretende "remover os seus adversários mais fortes das urnas" nas eleições municipais de novembro através de ações que consideram parte de uma perseguição política.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"A perseguição daqueles que pensam de forma diferente do regime atual tem sido uma constante nos últimos meses", disse o presidente do Partido Socialista Equatoriano (PSE), Gustavo Vallejo.

O dirigente falava durante uma conferência de imprensa, ao lado de outros movimentos que apoiam a candidatura à reeleição do presidente da Câmara da capital Quito, Pabel Muñoz, apoiante do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017).

Vallejo deu como exemplo da alegada perseguição uma recente reforma da lei eleitoral que, segundo ele, "tenta sufocar os partidos políticos da oposição", a suspensão de movimentos como a Revolução Cidadã (RC), onde milita Correa, e a desqualificação de dirigentes que procuravam a reeleição.

O opositor mencionou ainda processos judiciais movidos para negar o registo de Luisa González, ex-candidata presidencial apoiada por Correa, como candidata à Câmara Municipal de Manabí (oeste), e uma denúncia de alegadas irregularidades eleitorais contra Pabel Muñoz, que o poderia excluir das eleições e que, segundo Vallejo, "não tem fundamento legal".

"Estamos aqui para dizer ao país que não estamos a pedir qualquer vantagem neste processo eleitoral. Exigimos que este processo, convocado à pressa e prematuramente para novembro deste ano, seja livre e justo", acrescentou Vallejo.

A líder da Unidade Popular, Natasha Rojas, afirmou que "o Governo sabe" que "se jogar limpo, perderá as eleições" e é por isso que "está a proibir organizações políticas e candidatos com hipóteses de vitória".

"Isto faz parte de uma estratégia abrangente de fraude eleitoral orquestrada pela Presidência, que põe em risco a democracia e o direito de todos os candidatos a participar em igualdade de circunstâncias", declarou Rojas.

Cristian Coronel, do movimento Todos, afirmou que se uniram porque não querem que nenhum futuro candidato a um cargo eletivo seja impedido de participar.

Por sua vez, a presidente do RC, Gabriela Rivadeneira, afirmou que procurarão "todos os meios legais e institucionais, bem como os políticos e sociais, para defender o direito do povo à escolha".

Vallejo acrescentou que estão preparados para recorrer aos organismos internacionais "para defender eleições livres".

Em abril, a organização Amnistia Internacional alertou para o "aumento das práticas autoritárias" no Equador, pelo Governo do Presidente Daniel Noboa, "que têm a ver com o desejo de concentrar o poder" e que violam direitos humanos.

"Para nós, é muito claro que desde o início deste Governo houve um retrocesso em termos de direitos humanos", disse Camila Ruiz Segovia, chefe de campanhas da Amnistia Internacional para a América do Sul.

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