Governo do Haiti quer reactivar bancos em 48 horas
A ministra haitiana do Comércio, Josseline Colimon Fethiere, anunciou esta quinta-feira a reabertura de parte dos bancos do país nos próximos dois dias, numa tentativa de reerguer uma economia que já se debatia com grandes fragilidades antes do sismo de 12 de Janeiro. A iniciativa surge depois de o Banco Mundial ter decido suspender por cinco anos a dívida do país.
Ao mesmo tempo, um grupo de credores que integra duas dezenas dos países mais prósperos do Mundo veio anunciar a intenção de pôr em marcha um processo de perdão da dívida externa do Haiti, apelando a outras nações para que lhes sigam o exemplo. A Venezuela, por exemplo, é credora de mais de 300 milhões de euros.
Recuperar uma economia que já se apresentava débil antes do tremor de terra é, a par das tarefas de reconstrução de infra-estruturas e distribuição de ajuda humanitária a centenas de milhares de sobreviventes que se vêem sem tecto, um dos desafios mais ciclópicos que se colocam aos países envolvidos no auxílio ao Haiti. Antes do sismo de 12 de Janeiro, cerca de 80 por cento da população haitiana vivia abaixo do limiar da pobreza; setenta por cento dos haitianos sobreviviam com menos de dois dólares por dia.
"Vai ser difícil durante meses"
De acordo com a ministra haitiana do Comércio, as dependências de bancos das províncias que mantêm condições de funcionamento vão reabrir as portas já esta sexta-feira. Em Port-au-Prince, o Governo espera que os bancos recomecem a funcionar a partir de sábado. Josseline Colimon Fethiere garantiu ainda que as instituições financeiras vão manter-se abertas ao longo do dia de domingo para permitir que os haitianos possam levantar dinheiro.
O Fundo Monetário Internacional tem estado a coordenar, com os doadores internacionais, os esforços para reactivar a circulação de dinheiro na capital do Haiti, de modo a permitir a compra de alimentos e os pagamentos aos funcionários da administração pública. Algumas agências encontram-se já a trabalhar para acolher as remessas de haitianos que vivem no estrangeiro.
A governante haitiana adiantou ainda que o banco central do país está a laborar desde segunda-feira e que foi possível recuperar os servidores informáticos que continham registos de receitas fiscais do Ministério das Finanças, cujo edifício ficou destruído na sequência do sismo de magnitude 7.0 na escala de Richter. Fethiere procurou deixar uma nota de optimismo, dizendo acreditar que mais de metade da economia haitiana, ou 60 por cento, possa estar operacional já na próxima segunda-feira, contra os actuais 20 por cento.
Nas ruas, o sentimento é outro. Charles Jacques, um comerciante de 39 anos ouvido pela agência Reuters, vaticinou um horizonte difícil para o haitiano comum: "Quando os bancos reabrirem isso vai ajudar, mas vai ser difícil durante meses, talvez anos. Vai ser preciso dinheiro para a reconstrução e, mesmo que haja mais dinheiro a entrar no Haiti, não vamos ver um cêntimo. O Governo não vai dar um cheque a toda a gente".