Governo do México rejeita críticas sobre o comboio turístico

O Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat) do México desmentiu acusações de organizações da sociedade civil e especialistas por supostas falhas no licenciamento da construção do comboio turístico "Tren Maya".

Lusa /
Os mexicanos têm criticado os atropelos ambientais que a construção do percurso do comboio provoca Alonso Cupul - EPA

Horas antes, a organização não-governamental CartoCrítica tinha anunciado que, de acordo com dados cartográficos, a construção do "Tren Maya", que terá uma extensão de mais de 1.500 quilómetros, já obrigou à destruição de 6.659 hectares de floresta.

Além disso, uma investigação conjunta da CartoCrítica, Centro Mexicano de Direito Ambiental e outras organizações defendeu que apenas 889,9 dos hectares desflorestados tinham recebido autorização para mudança do uso de solo.

O Semarnat rejeitou os dados como "distantes da informação oficial" e garantiu ter dado autorização para a mudança do uso de solo em toda a área onde já arrancou a construção do "Tren Maya": mais de 3.167 hectares.

Na semana passada, a organização não-governamental Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza acusou o governo do México de violar com este projeto os direitos ambientais e "os direitos bioculturais do povo maia" do sul do país.

Em fevereiro, um juiz do estado do Iucatão, no leste do México, tinha proibido o corte de árvores no troço do comboio turístico "Tren Maya" que irá ligar as zonas turísticas de Cancún e Tulum, região que atrai milhões de visitantes todos os anos.

A construção do "Tren Maya" tem também sido atrasada devido a alterações ao percurso e à descoberta de vestígios arqueológicos, de poços subterrâneos de água doce e de rios subaquáticos.

A adjudicação do primeiro lote desta infraestrutura ferroviária foi atribuída ao conglomerado português Mota-Engil, em parceria com a China Communications Construction, num contrato de cerca de 636 milhões de euros, de acordo com um comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), em abril de 2020.

 

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