Governo do Senegal anuncia operação militar contra rebeldes de Casamansa
O exército senegalês anunciou na última noite ter lançado uma operação militar contra os rebeldes de Casamansa, palco de um antigo conflito no sul do país.
Esta ofensiva surge menos de dois meses após a morte de quatro soldados senegaleses e a captura de sete outros pelos rebeldes na zona de fronteira com a Gâmbia.
Os sete soldados, membros da missão militar da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental na Gâmbia (Ecomig), foram, entretanto, libertados por Salif Sadio, líder militar da rebelião de Casamasa, cujos homens os tinham capturado.
Em comunicado, o Exército diz que a operação tem como objetivo principal "desmantelar as bases da fação do Movimento das Forças Democráticas de Casamansa (MFDC) de Salif Sadio situadas ao longo da fronteira norte".
Visa também, " destruir todos os grupos armados que realizam atividades criminosas na zona e neutralizar qualquer pessoa ou entidade que colabore direta ou indiretamente com elas", acrescenta o documento.
As forças armadas estão determinadas "a preservar a todo o custo a integridade do território nacional", conclui o comunicado, citado pelas agências internacionais.
Na Gâmbia vizinha, as populações "foram afetadas por detonações de armas pesadas e de obus caídos" nas localidades perto da fronteira com o Senegal, alerta por seu lado o Governo gambiano em comunicado hoje divulgado.
Desde a noite de domingo, "muitas pessoas deslocadas e refugiados provenientes da fronteira começaram a chegar às localidades (gambianas próximas do Senegal) de Foni Bintang, Foni Kansala e Foni Bintang Karanai", afirma o comunicado.
O Presidente da Gâmbia, Adama Barrow, "assegura" que o seu país "não servirá de retaguarda a ninguém e não autoriza ninguém a entrar nele com as suas armas e munições".
O chefe de Estado apela a uma solução "pacífica" do conflito em Casamansa.
A região de Casamansa, no sul do Senegal e junto à fronteira com a Guiné-Bissau, é o cenário de uma rebelião armada desde 1982, atualmente considerada como um conflito de baixa intensidade, entre o Governo em Dacar e o MFDC.
Ao contrário do norte do país, mais árido, o sul do Senegal tem terras férteis e é rico em recursos florestais, sendo o tráfico ilegal de madeira nos últimos anos a principal fonte de financiamento do MFDC, segundo um relatório da organização não-governamental britânica Environmental Investigation Agency (EIA).
Casamansa já foi a zona turística mais popular do Senegal pelas suas florestas e qualidade das praias e, ainda que a rebelião independentista tenha limitado o seu potencial, tem gozado de longos períodos sem incidentes violentos.
Catorze lenhadores foram mortos em janeiro de 2018 por homens armados que, no mesmo mês, assaltaram também quatro turistas espanhóis, depois de terem parado o veículo em que viajavam.