Mundo
Governo holandês a caminho da demissão
O fracasso nas negociações para redução do défice público holandês deverá fazer cair o governo minoritário centro-direita do país e espera-se que o primeiro ministro Mark Rutte apresente a sua demissão à Rainha Beatriz, durante uma reunião ao início da tarde com a monarca, sobre "a actual situação política", afirmam os jornais holandeses.
Mark Rutte presidiu durante a manhã a um conselho de ministros extraordinário, onde foram analisadas as consequências do súbito abandono da mesa das negociações sobre a redução do défice público, por parte de Geert Wilders, líder de um dos parceiro da coligação governamental, o Partido pela Liberdade (PVV).
Wilder rompeu desta forma o acordo com os liberais do VVD de Mark Rutte e com os cristãos-democratas de vice-primeiro ministro Maxime Verhagen, que permitira a formação de um governo minoritário de centro-direita, em funções desde outubro de 2010.
O défice público holandês está nos 4,7 por cento do PIB, ultrapassando por larga margem a meta dos 3 três por cento definida para a Zona Euro.
"Diktat de Bruxelas"
Durante sete semanas o três parceiros de coligação negociaram os mecanismos de redução do défice, incluindo o congelamento dos salários da função pública e uma redução do orçamento da saúde e do auxílio aos países em desenvolvimento, de forma a conseguir os 16 mil milhões de euros considerados necessários para equilibrar as contas públicas.
Apesar das reuniões diárias entre Rutte, Verhagen e Wilder o impasse permaneceu e sábado foi anunciado o fracasso das negociações. Geert Wilder justificou o seu abandono dizendo que as medidas não interessavam aos seus eleitores e que "não queremos submeter-nos a uma sangria das nossas pensões por um diktat de Bruxelas."
Segundo os analistas, a Holanda arrisca-se agora a perder o triplo A nas três principais agências de notação financeira.
CE otimista
Apesar da demissão anunciada do governo holandês, a Comissão Europeia mantém-se confiante que a Holanda será capaz de encontrar soluções para a redução do seu défice orçamental, "importantes para o país", como afirmou em Bruxelas o porta-voz da Comissão. Amadeu Altafaj acrescentou que as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento não são "de pedra e cal" mas sim flexíveis.
"Há espaço para discussão, para explicação, para correção. Mas, uma vez mais, o objetivo é ter um sistema que trabalha por antecipação, que permite às instituições exercer esta pressão para prevenir, mais do que para corrigir, por isso não é um sistema cego", afirmou Altafaj, acrescentando: "O Pacto de estabilidade e Crescimento não é estúpido."
O governo minoritário de Rutte foi formado após eleições antecipadas em 2010, devido à queda do governo centro-esquerda liderado pelo cristão-democrata Jan Peter Balkenende. Em fevereiro desse ano a coligação governamental desabou devido a desacordos quanto ao prolongamento da missão holandesa no Afeganistão.
Eurocético e anti-islâmico
Geert Wilders lidera o Partido pela Liberdade (PVV) considerado de extrema-direita sobretudo devido ao seu discurso euro-cético e anti-islâmico. Para Wilders, o Corão é um livro fascista semelhante ao Mein Kapmf, de Hitler. "Pretendo defender a liberdade e considero que ela irá desaparecer como neve ao sol no momento em que a ideologia islâmica se implantar em todo o país", afirma Wilders, defendendo que a sua voz exprime o pensamento de milhares de holandeses.
Em 2006, o seu partido conseguiu nove dos 150 lugares no Parlamento holandês e de imediato exigiu a proibição de toda a imigração proveniente dos países muçulmanos e a construção de mesquitas. Nas eleições de 2010, o PVV triplicou o número de deputados, conseguindo 24 lugares e um lugar na coligação governamental, como terceira força política holandesa.
O PVV assegurava ao governo holandês uma maioria de 76 lugares mas perdeu essa vantagem quando um dos seus deputados se demitiu em 21 de março de 2012.
Wilder rompeu desta forma o acordo com os liberais do VVD de Mark Rutte e com os cristãos-democratas de vice-primeiro ministro Maxime Verhagen, que permitira a formação de um governo minoritário de centro-direita, em funções desde outubro de 2010.
O défice público holandês está nos 4,7 por cento do PIB, ultrapassando por larga margem a meta dos 3 três por cento definida para a Zona Euro.
"Diktat de Bruxelas"
Durante sete semanas o três parceiros de coligação negociaram os mecanismos de redução do défice, incluindo o congelamento dos salários da função pública e uma redução do orçamento da saúde e do auxílio aos países em desenvolvimento, de forma a conseguir os 16 mil milhões de euros considerados necessários para equilibrar as contas públicas.
Apesar das reuniões diárias entre Rutte, Verhagen e Wilder o impasse permaneceu e sábado foi anunciado o fracasso das negociações. Geert Wilder justificou o seu abandono dizendo que as medidas não interessavam aos seus eleitores e que "não queremos submeter-nos a uma sangria das nossas pensões por um diktat de Bruxelas."
Segundo os analistas, a Holanda arrisca-se agora a perder o triplo A nas três principais agências de notação financeira.
CE otimista
Apesar da demissão anunciada do governo holandês, a Comissão Europeia mantém-se confiante que a Holanda será capaz de encontrar soluções para a redução do seu défice orçamental, "importantes para o país", como afirmou em Bruxelas o porta-voz da Comissão. Amadeu Altafaj acrescentou que as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento não são "de pedra e cal" mas sim flexíveis.
"Há espaço para discussão, para explicação, para correção. Mas, uma vez mais, o objetivo é ter um sistema que trabalha por antecipação, que permite às instituições exercer esta pressão para prevenir, mais do que para corrigir, por isso não é um sistema cego", afirmou Altafaj, acrescentando: "O Pacto de estabilidade e Crescimento não é estúpido."
O governo minoritário de Rutte foi formado após eleições antecipadas em 2010, devido à queda do governo centro-esquerda liderado pelo cristão-democrata Jan Peter Balkenende. Em fevereiro desse ano a coligação governamental desabou devido a desacordos quanto ao prolongamento da missão holandesa no Afeganistão.
Eurocético e anti-islâmico
Geert Wilders lidera o Partido pela Liberdade (PVV) considerado de extrema-direita sobretudo devido ao seu discurso euro-cético e anti-islâmico. Para Wilders, o Corão é um livro fascista semelhante ao Mein Kapmf, de Hitler. "Pretendo defender a liberdade e considero que ela irá desaparecer como neve ao sol no momento em que a ideologia islâmica se implantar em todo o país", afirma Wilders, defendendo que a sua voz exprime o pensamento de milhares de holandeses.
Em 2006, o seu partido conseguiu nove dos 150 lugares no Parlamento holandês e de imediato exigiu a proibição de toda a imigração proveniente dos países muçulmanos e a construção de mesquitas. Nas eleições de 2010, o PVV triplicou o número de deputados, conseguindo 24 lugares e um lugar na coligação governamental, como terceira força política holandesa.
O PVV assegurava ao governo holandês uma maioria de 76 lugares mas perdeu essa vantagem quando um dos seus deputados se demitiu em 21 de março de 2012.