Governo neerlandês acusa Rússia de usar armas químicas na Ucrânia

Há provas de uso "generalizado" de armas químicas proibidas pela Rússia em território ucraniano. Quem o confirma são os serviços de inteligência dos Países Baixos e da Alemanha, que acusam as forças russas de terem um "programa em larga escala" de produção e utilização de agentes asfixiantes contra militares ucranianos. O ministro holandês da Defesa pediu, tendo em conta as novas informações, sanções mais rígidas a Moscovo.

Inês Moreira Santos - RTP /
Anatolii Stepanov - Reuters

“A principal conclusão é que se confirma que a Rússia tem intensificado o uso de armas químicas”, disse o ministro Ruben Brekelmans, através das redes sociais.

“Isto é inaceitável: mais sanções e isolamento da Rússia, mais apoio à Ucrânia”.




Esta informação é preocupante, segundo o governante holandês, “porque confirma a tendência que temos observado há vários anos, na qual o uso de armas químicas pela Rússia nesta guerra se está a tornar em algo normalizado, padronizado e disseminado”.

O chefe da agência de Inteligência Militar dos Países Baixo (MIVD) explicou, esta sexta-feira, que as conclusões agora divulgadas são resultado de trabalho próprio, “com base nas próprias investigações”. As provas mencionadas foram também confirmadas pelos serviçoes de informações alemães (BND).

A denúncia consta de um relatório conjunto do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha (BND, na sigla em alemão), do Serviço de Informações e Segurança Militar (MIDV) e do Serviço de Informações e Segurança Geral (AIVD) neerlandeses, onde é referida a utilização de gás lacrimogéneo e cloropicrina como “prática corrente”.

O BND lamentou que a utilização de tais produtos esteja “muito difundida” e precisou que a cloropicrina, que tem características semelhantes às do gás lacrimogéneo, é também conhecida por tricloronitrometano. A utilização destes agentes químicos em conflitos armados é proibida pela Convenção sobre as Armas Químicas, um tratado que entrou em vigor em 1997, uma vez que pertencem ao grupo dos agentes pulmonares.

De acordo com os serviços secretos alemães, este produto químico já usado na Primeira Guerra Mundial pode ser letal em concentrações elevadas e em espaços fechados e a sua utilização constitui uma violação da convenção.

“É proibido em qualquer circunstância”, declarou o BND, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press.

O ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos, Caspar Veldkamp, também afirmou nas redes sociais que a Rússia estava “a utilizar cada vez mais armas químicas contra os soldados ucranianos”.

Veldkamp disse que os Países Baixos vão abordar a questão na reunião da próxima semana do Conselho Executivo da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) e que pretende partilhar as conclusões dos serviços de informação nessa reunião.

“É importante mostrar à comunidade internacional como a Rússia atua”
, afirmou.

A estação pública neerlandesa NOS noticiou que, de acordo com o Ministério da Defesa ucraniano, a substância foi utilizada em 9.000 ataques contra soldados ucranianos, nos quais o gás causou pelo menos três mortes. A mesma fonte noticiosa acrescenta que a utilização de armas químicas causa indiretamente mais vítimas ucranianas, uma vez que obriga muitos soldados a abandonar os esconderijos sendo depois mortos com outras armas.

O ministro apelou a um maior isolamento da Rússia a nível internacional, nomeadamente através do alargamento dos pacotes de sanções.

“Vamos dar apoio adicional à Ucrânia e apelar a outros países para seguir o exemplo”, acrescentou.
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