Governo poderá cancelar contrato com consórcio que explora via férea

O Governo moçambicano poderá cancelar o contrato com o Corredor de Desenvolvimento de Nacala (CDN), um consórcio moçambicano e norte-americano, devido a dificuldades de exploração da via-férrea Cuamba-Lichinga, norte de Moçambique.

Agência LUSA /

O ministro moçambicano dos Transportes e Comunicações, António Munguambe, que, recentemente, efectuou uma visita à província de Niassa, reconheceu que o consórcio, com um contrato de concessão da via válido por 15 anos, está a encontrar dificuldades em colocar comboios que façam, pelo menos uma vez por mês, a ligação Cuamba- Lichinga.

"Se se recordam, até à altura da concessão, os comboios dos CFM escalavam Lichinga com regularidade", mas, "isso deixou de acontecer no momento em que o CDN assumiu a gestão da linha", referiu.

Desde Janeiro, apenas uma locomotiva de mercadorias percorreu o referido trajecto, muito usado pela população local, o que levou vários investidores a desistiram de operar na capital provincial de Niassa, Lichinga, devido ao elevado custo de transporte rodoviário e preço de produtos no mercado.

O ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique informou que o governo está a estudar formas de restabelecer a circulação de comboios na referida via, mas reconheceu que este "exercício é difícil".

Munguambe frisou que quando o governo cedeu o sistema ferro portuário do norte ao consórcio, a sua expectativa era que esta tivesse um melhor desempenho, comparativamente aos Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM).

Recentemente, um gestor do CDN disse que a circulação irregular da via se deve à falta de rentabilidade, agravada pelo elevado custo do aluguer das locomotivas, estimada em 400 euros diários, sem incluir o preço de combustíveis e subsídio para os tripulantes.

A propósito, Munguambe referiu que as duas partes estão a encetar contactos para à restauração da via, o que permitirá restabelecimento regular de comboios, enquanto se aguarda a construção de raiz da linha férrea.

"Consideramos que o comboio, por si só, é um factor catalisador do desenvolvimento, daí que, independentemente de agora termos ou não carga suficiente para a rentabilidade da linha, achamos que a médio e longo prazo vai ser rentável", concluiu Munguambe.

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