Governo sul-coreano prevê que reator de água leve norte-coreano fique operacional no verão
A Coreia do Sul disse hoje esperar que o reator experimental de água leve (ELWR) da Coreia do Norte esteja operacional no verão, sendo improvável que seja utilizado para produzir plutónio para bombas atómicas.
As declarações do ministro da Defesa sul-coreano, Shin Won-sik, surgiram depois de, na semana passada, a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) ter alertado para sinais de atividade no reator do Centro de Investigação Nuclear de Yongbyon, cerca de 100 quilómetros a norte de Pyongyang.
Shin disse, em conferência de imprensa, que os militares sul-coreanos detetaram a descarga de água do sistema de arrefecimento do reator já em agosto e que, tendo em conta os tempos de treino operacional para este tipo de unidades de fissão, é provável que demore um total de 11 meses a ficar totalmente operacional.
Ao mesmo tempo, considerou muito improváveis os receios comunicados pela AIEA sobre a possibilidade de Pyongyang o utilizar para produzir plutónio para bombas, uma vez que a proporção de plutónio 239 (o isótopo utilizado em armas nucleares) gerado por reatores de água leve no combustível usado é muito baixa.
O responsável sul-coreano lembrou que o regime de Kim Jong-un já obtém plutónio do reator elétrico de cinco megawatts também localizado em Yongbyon, que, apesar de ser menos potente do que o ELWR (estimado em 25-30 megawatts elétricos), produz a mesma quantidade de plutónio que o ELWR.
Shin considerou que o argumento norte-coreano de que o ELWR será utilizado para produzir eletricidade para o próprio complexo de Yongbyon "não está de modo algum fora de questão" e que, por sua vez, Pyongyang podia dar ao reator outras utilizações militares, como campo de ensaio para o desenvolvimento de um pequeno reator nuclear, como os utilizados nos submarinos.
O desenvolvimento de submarinos com propulsão nuclear é um dos principais objetivos do programa de modernização do armamento da Coreia do Norte aprovado para 2021.
O ministro da Defesa sul-coreano indicou ainda a possibilidade de o regime utilizar o trítio (outro isótopo gerado após a fissão) produzido pelo ELWR para produzir bombas de hidrogénio.