Governos saídos da "primavera árabe" não estão a respeitar direitos fundamentais
Nova Iorque, 31 jan (Lusa) -- A "primavera árabe" abriu caminho a novos governos que não estão a respeitar direitos fundamentais como a liberdade de expressão, afirma a Human Rights Watch no relatório anual, hoje divulgado, apelando aos novos poderes que respeitem a democracia.
"A vontade dos novos governos de respeitar os direitos determinará se as revoltas deram lugar a uma democracia genuína ou geraram, simplesmente, novas formas de autoritarismo", lê-se no relatório anual da organização de defesa dos direitos humanos.
Para a HRW, o equilíbrio entre o Governo da maioria e o respeito pelos direitos humanos é o maior repto dos poderes estabelecidos após a "primavera árabe" em países como o Egito, a Líbia e a Tunísia.
"Passaram dois anos desde a euforia desses primeiros tempos, quando vimos ser derrubado ditador atrás de ditador. Essa euforia inicial deu lugar, muitas vezes, ao desespero e à profunda preocupação quanto ao que se veio a revelar uma situação muito mais difícil", disse o diretor executivo da HRW, Kenneth Roth, na apresentação do relatório.
"Na verdade, derrubar um ditador pode ter sido o mais fácil. O difícil é substituir um regime repressivo por uma democracia respeitadora dos direitos humanos", acrescentou.
Os direitos das mulheres, dos opositores e das minorias estão em especial risco nestes países, a par da liberdade de expressão, segundo o relatório.
"Temos assistido a uma infeliz tendência em toda a região para suprimir todo o discurso que seja crítico do Governo, crítico da justiça, crítico da religião", disse Roth.
O relatório manifesta especial preocupação com a nova Constituição do Egito, que considera conter falhas em relação aos direitos das mulheres, à liberdade de expressão, à liberdade de religião e ao controlo civil do exército.
Apesar de todas as falhas, o fim dos regimes ditatoriais provocado pela "primavera árabe" foi positivo: "As incertezas da liberdade não são razão para voltar ao caráter previsível de um regime autoritário", disse Roth.