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Grande Barreira de Coral enfrenta branqueamento em massa pela sexta vez
Os cientistas alertam que está em curso o sexto evento de lixiviação dos corais, enquanto o governo australiano procede a monitorização ao longo de 2.300 km da Grande Barreira. As temperaturas das águas subiram para níveis recordes em dezembro passado e "nas últimas três semanas houve relatos de branqueamento moderado a forte ao longo do recife".
A costa de Queensland está a ser passada a pente fino pela Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Corais (GBRMPA) australiana, que conta com voos de monitorização ao longo de 2300 quilómetros.
Esta rotina irá fornecer dados sobre o estado de conservação da Grande Barreira de Coral, que estarão em debate na reunião da comissão do património mundial de junho.
O fenómeno de despigmentação dos corais em massa foi identificado em 1998 e desde então já ocorreram cinco eventos de descoloração da barreira.
Terry Hughes, especialista em corais da Universidade James Cook, revelou que recebeu uma "enxurrada de relatórios do campo" alertando para inúmeros corais branqueados nas últimas duas semanas.
Hughes acredita que um sexto evento de branqueamento em massa está a ocorrer agora e que não será "leve nem localizado", disse ao Guardian.
A perda de cor dos corais está associado ao aquecimento global e aumento de emissões de CO2. A subida da temperatura média das águas é acompanhada de um aumento de acidez dos oceanos e tem como consequência previsível o fim dos corais e impacto direto na biodiversidade, funcionamento dos ecossistemas baseados no recife e proteção da costa.
A despigmentação dos corais é indicador de que algo está errado. Em dezembro, de acordo com o Gabinete de Meteorologia australiano, as temperaturas das águas subiram entre 1 e 2 graus centígrados acima da média, em amplas áreas da barreira de coral.
"Todos nós demos um suspiro de alívio porque os corais que estavam pálidos em dezembro recuperaram a cor em janeiro e fevereiro. Mas nas últimas três semanas chegaram relatos de branqueamento moderado a forte ao longo do recife" alertou Hughes.
"Não teremos uma imagem completa até que os voos terminem", sublinhou. "Temos que ver esses mapas [de branqueamento], por isso pode ser prematuro dizer como isso se classifica ao lado dos outros cinco eventos de branqueamento", acrescentou o cientista, embora deixe o alerta: "muitos corais vulneráveis estão agora a branquear".
A par do aumento da temperatura, os fracos passos na melhoria dos níveis de poluição também contribuem para a degradação na vida do recife e por isso a ONU recomendou que a Grande Barreira de Coral fosse inscrita na lista de patrimónios mundiais "em perigo".
Essa recomendação acabou por ser ignorada devido a pressões da oposição ao governo australiano, mas o primeiro ministro Scott Morison anunciou um apoio de mil milhões de dólares para conservação dos recifes durante os próximos nove anos.
Os corais podem conseguir recuperar de um branqueamento leve, mas se a pressão térmica for muito severa, o coral pode morrer, e com ele, o equilíbrio do inúmeros ecossistemas se desvanecerá.