Grande Entrevista. Paulo Rangel garante que Portugal não subscreve conflito no Irão

Grande Entrevista. Paulo Rangel garante que Portugal não subscreve conflito no Irão

Dois meses após ter escalado a guerra no Médio Oriente, Paulo Rangel quis assegurar que Portugal "não está envolvido" neste conflito, embora não rejeite que o regime iraniano representa uma ameaça. Na Grande Entrevista desta noite, o ministro dos Negócios Estrangeiros abordou ainda assuntos nacionais e lamentou a "banalização" da greve geral, mas não acredita que tenha impacto no pacote laboral.

RTP /
Tiago Petinga - Lusa

Logo desde início da guerra no Irão, “a posição do Governo foi clara, no sentido de dizer que não apoia, não subscreve e não está envolvido neste conflito”. Posição, segundo Paulo Rangel, que "é claramente de que nós não estamos envolvidos neste conflito”.

Paulo Rangel, sem responder se o conflito é legítimo ou ilegítimo, referiu ainda que este “tem contornos que o tornam, sobre o ponto de vista dos vários valores internacionais, um conflito difícil”. Além disso, considerou que o “Irão é, de facto, uma ameaça”.

“Ficou comprovado logo no rebentar do conflito”, declarou, recordando que a primeira reação de Teerão “não foi responder apenas àqueles que desencadearam o ataque”, mas atacar os países vizinhos. 

“Isto mostra a ameaça que representa o regime do Irão”, repetiu, acusando o Governo iraniano de tentar uma “escalada do conflito para uma outra dimensão”. 
"Navegação no Estreito de Ormuz é fundamental"
Para Portugal, “que não subscreve este conflito” nem o “ataque que o desencadeou”, interessa que se alcance um “cessar-fogo duradouro, que leve de facto a criar condições para uma negociação de uma paz que as duas partes possam aceitar, e que possa depois inaugurar um novo capítulo na região também”.


Questionado se considera que o mundo está mais volátil, mais incerto, desde que começou o conflito, Rangel voltou a sublinhar que o Governo português não apoia ou subscreve o conflito. Ainda assim, e “apesar do perigo que representa o regime do Irão”, Portugal considera que “os termos em que começou este conflito não iriam necessariamente resolver a situação”.

Admitindo o “trabalho diplomático muito intenso”, incluindo com as autoridades turcas no Paquistão, o ministro disse estar “expectante” quanto ao alcance de um acordo entre as partes.

“A liberdade de navegação no Estreito de Ormuz é fundamental”
, afirmou.

Sobre a sucessão na liderança do Regime do Irão, Rangel admitiu não se surpreender. E quanto ao apoio aos Estados Unidos, não rejeitou que pode não ser incondicional.

Paulo Rangel acredita que a utilização que os Estados Unidos estão a fazer da base das lajes é ínfima e pouco relevante.
"Está a banalizar-se a greve geral"
Mudando para assuntos nacionais, principalmente sobre a ameaça de uma nova greve geral e o pacote laboral, Paulo Rangel reforçou o que o primeiro-ministro afirmou esta tarde: a paralisação não terá consequências no pacote laboral.

"A última greve geral não teve, ao contrário do que foi dito, a expressão que se disse", disse o ministro, acrescentando que "fazer reformas em Portugal é um grande desafio".

"A proteção dos trabalhadores passa por um quadro mais flexível"
.

Segundo Rangel, o Governo "não quer maltratar os trabalhadores". E os "sindicatos representam 8 por cento dos trabalhadores", mesmo assim, o executivo quer "muito que os sindicatos se envolvam nas negociações, porque representam, como mediadores, mais do que essa percentagem".

Nas palavras do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, "está a banalizar-se a greve geral". Banalização, segundo explicou, por estar a ser proposta por "motivos que não a justificam".

Reconheceu, contudo, o direito "legítimo" de se fazer greve geral, sem deixar de advertir que "não pode ser utilizada de qualquer maneira".

"Pode parecer estranho, mas estou aqui a defender, na nossa sociedade, o papel dos mediadores".

O Governo, esclareceu, encara o pacote laboral "com uma grande seriedade".

"Nós não estamos a governar para amanhã"
, declarou. "O Governo está a governar para os próximos anos, para o médio prazo. E, sinceramente, isso exige uma grande responsabilidade e uma grande ousadia".
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