Gravações revelam sucessão de erros como causas do acidente Boeing-Gol

Uma sucessão de erros e mal- entendidos causou a queda do Boeing da GOL, que matou 154 pessoas, segundo transcrições das conversas dos pilotos do Legacy e dos controladores brasileiros, divulgadas hoje pelo jornal Folha de São Paulo.

Agência LUSA /

As gravações mostram que os pilotos do jacto que chocou com o Boeing tiveram dificuldades com o seu naparelho (Legacy), com o rádio, com o mapa aeronáutico e com o inglês dos controladores.

Os erros começaram quando a torre de São José dos Campos, de onde partiu o jacto, liberou o voo sem detalhar as três altitudes do plano original, citando apenas 37 mil pés.

O plano previa uma mudança de altitude para 36 mil pés após passar pela capital brasileira e depois uma subida a 38 mil pés a partir de um ponto da carta de aviação chamado Teres, ponto virtual de controlo aéreo que fica a menos de 15 minutos, na velocidade do avião, do local onde houve o acidente.

"Esse foi o primeiro de uma série de erros, como a displicência dos controladores de Brasília e o desconforto dos pilotos norte-americanos Joe Lepore e Jan Paladino com um novo jato e com as condições de voo no Brasil", escreveu a Folha de São Paulo.

O jornal lembrou ainda que, quase cinco meses após o acidente, permanece o mistério por que se encontrava desligado o "transponder" - equipamento que transmite os dados de um avião para a torre de controlo do tráfego aéreo e para outras aeronaves.

As transcrições das conversas dos pilotos não esclarecem isso.

Joe Lepore e Jan Paladino também manifestaram dúvidas a respeito da localização da aeronave:

"Eu só quero ter certeza de que estamos indo na direcção certa", afirmou um dos pilotos.

Após o choque, os dois pilotos manifestaram preocupação.

"Se nós batemos no avião, há outro avião com problemas lá em cima", disse um deles.

"É com isso que eu estava preocupado. Eu não queria. Nós estávamos a 37 mil pés e eu estava no processo de tentar comunicação", afirmou o outro.

O Legacy fez uma aterragem de emergência e todas as sete pessoas que estavam no jacto saíram ilesas.

Mas o Boeing despenhou-se em plena selva amazónica, no Estado do Mato Grosso, após a colisão, matando as 154 pessoas que estavam a bordo.

Um empresário português de Matosinhos, António Armindo, de 58 anos, que estava no Brasil a montar uma subestação eléctrica em Manaus, foi uma vítimas do acidente.

Os controladores de tráfego aéreo demoraram pelo menos 50 minutos para ter a certeza de que as duas aeronaves tinham se chocado.

Quando o centro de Brasília chamou o de Manaus a perguntar por que o Boeing não tinha entrado em seus radares, conforme o previsto, a resposta do controlador de Manaus foi:

"Ué! Que GOL 1907 é esse?"

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