Grécia começa a transferir refugiados e migrantes para várias cidades

As autoridades gregas começaram a transportar em autocarros milhares de pessoas amassadas ao relento nos portos do país. Calcula-se que estejam naquelas infraestruturas 51 mil refugiados e migrantes, a maioria provenientes da Síria, do Iraque e do Afeganistão, retidos na Grécia pelo encerramento das fronteiras dos Balcãs.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Uma migrante espreita pela abertura da sua tenda na aldeia grega de Idomeni, perto da fronteira com a Eslovénia Marko Djurica - Reuters

Pelo menos seis mil viviam no porto do Pireu, a 12 quilómetros do centro de Atenas, e a situação de segurança estava a deteriorar-se rapidamente.

Esta manhã quatro autocarros partiram para a cidade portuária de Kyllini, na zona ocidental da Grécia, a cerca de 280 quilómetros de Atenas, onde ficarão alojados num complexo turístico. Outros autocarros partiram cheios, para as cidades de Ioannina e de Larissa, no nordeste e no centro da Grécia.

As famílias reuniram-se nas docas à espera de novos autocarros, mas muitas pessoas temem deslocar-se de Atenas para outros locais da Grécia, com receio de ficarem longe das fronteiras, caso estas reabram.

"Acredito que o primeiro grupo que chegue a Kyllini passe a mensagem aos restantes de que é um sítio decente e não teremos problemas em levar para lá mais pessoas", disse à TV grega um porta-voz do Governo, George Kyritsis.
Situação precária
Nas últimas semanas registaram-se confrontos no porto do Pireu, onde as pessoas têm vivido em tendas e enroladas em cobertores ao relento, sem condições sanitárias e com escassez de alimentos.

Na quarta-feira à noite oito pessoas ficaram feridas e foram partidas janelas em confrontos entre sírios e afegãos, de acordo com o Governo.

Ao abrigo de um acordo estabelecido entre a União Europeia e a Turquia em meados de março, qualquer refugiado ou migrante que tenha chegado à Grécia depois de dia 20 de março será retido em campos e identificado, ficando sujeito a ser reenviado para a Turquia se o seu pedido de asilo não for aceite.

Por cada sírio reenviado para da Grécia para a Turquia, um outro será enviado pela Turquia e alojado diretamente na Europa. O início das trocas está marcado para dia 4 de abril, mas deverá ser adiado devido a atrasos de responsáveis de ambos os lados.

O Governo grego espera que o decreto de lei que incorpora a implementação do acordo UE/Turquia - e que incorpora as novas leis europeias de asilo - seja votado no Parlamento na sexta-feira a noite.

Apesar das novas regras e das fronteiras encerradas, refugiados e migrantes não desistem de tentar a sorte na Europa.
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