Greve de controladores de tráfego de Orly anula mais de 300 voos
A greve surpresa dos controladores de tráfego aéreo de Orly, em França, conseguiu hoje perturbar "fortemente" o normal funcionamento do aeroporto e anular mais de 300 voos, anunciaram as autoridades aeroportuárias.
A paralisação tinha como objectivo demonstrar o descontentamento dos trabalhadores contras as políticas sociais do Governo e conseguiu provocar a anulação de 322 voos, entre chegadas e partidas, apanhando de surpresa a quase totalidade de passageiros, apesar de o tráfego ter retomado normalmente a partir do meio-dia, segundo informações dos Aeroportos de Paris e da direcção geral da aviação civil.
Entre as 06:00 e as 10:00 de hoje nenhum voo, com partida ou chegada previstas para o aeroporto de Orly, estava assegurado.
Em contrapartida, no principal aeroporto parisiense, Roissy Charles-de-Gaulle, o tráfego aéreo não foi perturbado.
Uma fonte sindical, questionada pela agência France Press, explicou essa diferença com um diferendo entre os controladores de aviação civil e as suas hierarquias.
Segundo a mesma fonte, os controladores de tráfego aéreo, "muito revoltados" com os seus superiores, decidiram "aproveitar-se" do pré-aviso nacional dentro da função pública anunciado hoje pelo sindicato CGT, enquadrado na jornada nacional de protesto contra o Acordo Primeiro Contrato.
Entre 200 mil e 400 mil pessoas desfilaram hoje, por toda a França, num apelo feito pela oposição de esquerda, por sindicatos e por estudantes, contra esse acordo de trabalho específico para os jovens, que constituem uma peça essencial do plano de luta do Governo francês contra o desemprego.
Os protestos prendem-se com o Contrato Primeiro Emprego (CPE), que propõe um contrato aos jovens menores de 26 anos com um período de dois anos de experiência durante o qual o empregador pode despedir o trabalhador sem justificação.