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Gripe das Aves - O vírus H5N1 na origem da actual epidemia

Gripe das Aves - O vírus H5N1 na origem da actual epidemia

O vírus H5N1, que está a alastrar na Europa depois de ter atingido explorações de aves na Ásia e causado a morte de 60 pessoas, foi identificado há várias décadas entre as aves selvagens.

Agência LUSA /

"É um vírus conhecido há mais de 40 anos, identificado pela primeira vez na África do Sul numa andorinha-do-mar, um dos pássaros marinhos migradores e comuns", indicam dois médicos franceses numa obra acabada de publicar, "Pandemia, a grande ameaça", da editora Fayard.

Focos da doença foram diagnosticados em aves por todo o mundo, remontando o mais antigo a 1959, na Escócia, provocado por uma estirpe do vírus H5N1 especialmente patogénica, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Mas só em Maio de 1997 é que se registou um primeiro caso de contaminação humana por uma ave, com a morte em Hong Kong de um rapaz criado num centro avícola.

O H5N1 faz parte da "grande família" dos vírus gripais (influenza) de tipo A, com diferentes subtipos definidos pela combinação HxNy, designando as letras H (Hemaglutinina, responsável pela ligação do vírus aos receptores celulares) e N (Neuraminidase, responsável pela degradação da substância activa do receptor) duas proteínas específicas que se encontram no invólucro desses vírus.

Os vírus influenza de tipo A são a causa de infecções gripais sazonais que podem afectar várias espécies de mamíferos, muitas espécies de aves (vírus influenza aviários) e o homem (vírus influenza humanos), indica o Instituto Nacional de Investigação e Segurança (INRS), um organismo de pesquisa francês.

A actual epidemia animal deve-se a um vírus "altamente patogénico" nas aves, ou seja, que é particularmente contagioso, com formas graves susceptíveis de provocar uma mortalidade de 100 por cento em explorações avícolas industriais, por causa da concentração das aves.

Mas, até agora, o vírus só atingiu seres humanos de forma marginal: 117 casos de infecção humana conhecidos, 60 dos quais mortais, desde o final de 2003.

As pessoas mais expostas são os criadores de aves e as respectivas famílias e, de uma forma geral, todas aqueles que tenham contacto prolongado com aves.

O risco de contaminação pela alimentação é, em contrapartida, nulo se os alimentos forem cozinhados, porque o vírus é destruído na cozedura a partir dos 70 graus, lembram os especialistas.

Quanto à contaminação entre seres humanos, aquela que é temida pelas autoridades sanitárias de todo o mundo, ela nunca foi constatada com o vírus H5N1, que poderá, no entanto, um dia sofrer uma mutação e adquirir essa capacidade.


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