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Grupo acusado de invadir sede do PAIGC em Bissau afirma que quer exigir os seus direitos

Grupo acusado de invadir sede do PAIGC em Bissau afirma que quer exigir os seus direitos

Bissau, 18 out (Lusa) - O grupo acusado de invadir a sede nacional do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo (PAIGC), em Bissau, recusou hoje ter tomado de assalto o partido, salientando que apenas queriam exigir os seus direitos.

Lusa /

"Fomos à sede do partido para exigir os nossos direitos de acordo com os estatutos", disse à agência Lusa o porta-voz do grupo, Buli Djabuli, salientando que os membros do grupo são militantes do partido.

Segundo Buli Djabuli, o grupo dirigiu-se ao partido por "vias democráticas" e para mostrar ao presidente do partido, Domingos Simões Pereira, que não concordam com a forma como está a dirigir a formação política.

"Antes de lá irmos hoje, enviámos uma nota a avisar que íamos lá hoje", disse, mostrando o documento enviado.

Buli Djabuli negou também terem levado armas, nomeadamente catanas e facas, e disse que os confrontos provocaram cinco feridos ligeiros.

Os jovens queriam entregar hoje uma petição a pedir a demissão de Domingos Simões Pereira, afirmou.

Mas, num comunicado lido à imprensa, Buli Djabuli exigiu à direção do PAIGC que promova "ações concretas e imediatas conducentes à reconciliação no seio da família PAIGC, sob pena de a crise se agravar ainda mais, pondo em perigo este grande e histórico projeto político".

No comunicado, o grupo aponta o "diálogo franco e sincero como única via para a saída da presente crise".

O grupo dos jovens intima também, no comunicado, a direção do PAIGC a "cumprir o ponto 10 do Acordo de Conacri em relação à reintegração incondicional de dirigentes expulsos ou sancionados ilegalmente, bem como a cessar imediatamente com afastamentos sumários e exclusões ilegais que se têm verificado em todos os escalões e hierarquias do partido".

A Guiné-Bissau vive um impasse político há cerca de três anos, depois de o Presidente ter demitido o Governo de Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC, partido que venceu as eleições legislativas de 2014.

O Grupo dos 15 é um grupo de deputados expulsos do PAIGC, depois de votarem contra o programa do Governo submetido ao parlamento por Carlos Correia, que substitui Domingos Simões Pereira.

Na sequência da expulsão daqueles deputados, o parlamento ficou bloqueado e está parado há cerca de dois anos.

O atual Governo da Guiné-Bissau não tem o apoio do PAIGC e o impasse político tem levado vários países e instituições internacionais a apelarem a um consenso para a aplicação do Acordo de Conacri.

O Acordo de Conacri, mediado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), prevê a formação de um governo consensual integrado por todos os partidos representados no parlamento e a nomeação de um primeiro-ministro de consenso e da confiança do chefe de Estado, entre outros pontos.

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