Grupo África, Caraíbas e Pacífico quer ser "independente" da União Europeia
O Grupo de Eminentes Personalidades da África, Caraíbas e Pacífico (GEP-ACP) concluiu hoje pela necessidade de tornar aquela organização "independente", 39 anos depois de criada em conjunto com os países europeus, ex-potências coloniais.
A posição foi transmitida no final de três dias de reuniões realizadas em Luanda pelo angolano Sebastião Isata, uma das doze personalidades deste grupo de reflexão que, através de encontros regionais, debate o "Futuro do Grupo ACP após 2020", data de vigência do mais recente acordo comercial com a União Europeia (UE).
"Concluímos que, decorridos 39 anos de existência da ACP, precisamos de uma organização independente, que possa subsidiar o seu desenvolvimento sustentado e estabelecer relações com a União Europeia, fundadas na paridade e nas vantagens comparativas", disse o professor angolano.
No encerramento desta sexta reunião regional, foi ainda recordado que a China é hoje o principal parceiro na cooperação económica com a África, ultrapassando os antigos países colonizadores, europeus, que estiveram também na génese da criação do Grupo ACP.
Sebastião Isata enfatizou ainda a necessidade de criar instituições financeiras e monetárias que possam atuar entre os 79 países deste grupo e assim "subsidiar o seu próprio desenvolvimento".
Na abertura desta reunião, na segunda-feira, o chefe da diplomacia de Angola, Georges Chikoti, tinha já apontado como necessário "refletir-se" sobre o futuro da parceria entre o Grupo ACP e a UE, assim como a abertura a outros entendimentos.
Este organismo surgiu com o Tratado de Lomé, assinado em 1979 entre os países ACP e a então Comunidade Económica Europeia, para regular as relações entre ambos. As relações comerciais entre os dois blocos seriam mais tarde regulamentadas através do acordo de Cotounou, rubricado em 2000 entre UE e ACP, até 2020.
"Hoje, quase 15 anos depois, consideramos positiva a relação de parceria com a União Europeia. Entretanto, temos de reconhecer que nem tudo correu como desejado e que é necessário refletir-se sobre o futuro dessa parceria", disse na altura o ministro angolano, anfitrião destas reuniões.
Georges Chikoti garantiu também que a parceria com os países europeus "facilitou importantes passos em prol da unidade e da solidariedade entre os Estados-membros do ACP", mas que o momento é de definição do futuro da instituição, face aos atuais "impasses" no modelo de gestão.
"Apesar da sua ligação umbilical à União Europeia, talvez seja este o momento de equacionar o alargamento a outras parcerias, se isso constituir de facto uma mais-valia para o Grupo", disse.