Grupo de emigrantes portugueses lança carta aberta em apoio a acampadas

Grupo de emigrantes portugueses lança carta aberta em apoio a acampadas

Um grupo de mais de 300 emigrantes portugueses lançou hoje uma carta aberta em apoio às acampadas que se estão a realizar em Portugal, na qual pedem ao Governo que "uma resposta imediata" às reivindicações dos manifestantes.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Rui Manuel Alves Cardoso - RTP

Na carta, divulgada pelo núcleo em Bruxelas da associação José Afonso, este grupo de 321 emigrantes recorda que, segundo o Observatório da Emigração, "cerca de 1,2 milhões de portugueses deixaram o país nos últimos 15 anos, muitos em busca de condições de vida que permitissem pagar uma habitação digna para si e para as suas famílias".

Manifestando-se solidários com as acampadas que se têm realizado em Lisboa e no Porto, os signatários pedem ao Governo "uma resposta imediata às reivindicações dos manifestantes, incluindo a rejeição da nova lei do arrendamento, o fim dos despejos sem alternativa habitacional, o fim da compra de habitação por fundos imobiliários, mais habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos e tetos de renda".

"Pedem também o cumprimento do artigo 65.º da Constituição [que consagra o direito à habitação], a proteção do direito à manifestação e a responsabilização política de quem tenha autorizado a repressão violenta de protestos pacíficos", afirmam.

Este grupo de signatários afirma ainda que está à espera da confirmação das autoridades belgas para poder organizar uma concentração à frente da embaixada de Portugal em Bruxelas, como "gesto simbólico de solidariedade com as acampadas que se têm realizado em várias cidades portuguesas".

"Esta concentração inscreve-se num movimento de mobilização mais alargado da emigração portuguesa, que tem surgido em várias cidades europeias nos últimos dias, incluindo em Berlim e Amesterdão", referem.

Na carta, os signatários criticam também as declarações do presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), Benjamim Costa, que, na semana passada, disse não saber se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício das gerações anteriores, frisando que os seus próprios avós e o pai emigraram para ter uma casa.

"Os assinantes relembram que são `quase todas filhas e filhos do Estado Social` e recusam que o seu sacrifício seja glorificado ou apresentado como o caminho natural para a juventude portuguesa", escrevem.

Os subscritores concluem a carta deixando um apelo: "Por um Portugal onde se possa viver e onde se queira ficar".

"Por um Portugal ao qual possamos regressar", acrescentam.

As acampadas pelo direito à habitação começaram em 10 de outubro, no Porto, e estenderam-se depois a Lisboa.

Na madrugada de domingo, a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e retirassem as tendas.

Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação, no que têm sido acompanhados por vários juristas, enquanto a PSP tem fundamentado as suas intervenções num decreto-lei de 1974, que refere que os protestos não podem ir além das 00:30.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação dos imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

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