Grupo de guineenses em vigília junto ao Ministério da Saúde para exigir condições nos hospitais
Um grupo de cidadãos guineenses realizou hoje uma vigília diante do Ministério da Saúde em Bissau para exigir melhores condições nos hospitais e justiça perante a morte do antigo presidente do Movimento de Cidadãos Conscientes e Inconformados (MCCI).
Bernardo Catchura, 39 anos, morreu na sexta-feira, alegadamente após não ter conseguido receber oxigénio em diferentes hospitais de Bissau, quando necessitava de uma intervenção cirúrgica urgente.
Os membros do MCCI têm repetido nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais exigências de justiça para a morte de Bernardo Catchura, que também era músico de intervenção e jurista.
De acordo com Lesmes Monteiro, antigo porta-voz do MCCI e colega na Faculdade de Direito de Bissau (FDB), Catchura morreu numa clínica na capital guineense, após tentar uma cirurgia de urgência no hospital nacional Simão Mendes.
"O Simão Mendes não tinha oxigénio (para a cirurgia) e a família dele levou-o para uma clínica, onde acabou por falecer", contou Lesmes Monteiro, que também integrou com Bernardo Catchura a banda musical "Cientistas Realistas".
Dezenas de jovens, vestidos de roupa preta, com velas acesas, realizaram uma vigília de cerca de uma hora diante do Ministério da Saúde, situado ao lado do palácio da Presidência guineense, com cartazes com a esfinge de Bernardo Catchura e onde se podiam ler frases como "justiça para Bernardo" ou "exigimos oxigénio nos hospitais".
A vigília acabou por ser dispersada pela polícia.
Adama Baldé, vice-presidente da Rede Nacional das Associações Juvenis (Renaj), disse à Lusa que a vigília serve para "demonstrar o desnorte total" pela forma como o país tem sido governado, o que diz ser responsabilidade dos titulares de cargos públicos.
"Infelizmente não é de hoje que estamos a assistir às mortes de Bernardos e Bernardas deste país, mas tem-se feito silêncio. Este caso de Bernardo simplesmente veio à tona, mas são vários Bernardos e Bernardas que já morreram" da mesma forma na Guiné-Bissau, referiu Adama Baldé.
A ativista lembrou uma manifestação promovida pelo MCCI, em 2018, em que Bernardo Catchura, em pleno hospital Simão Mendes, reclamava pelo fornecimento de oxigénio para aquele centro hospitalar.
Adama Baldé repudiou o comportamento da polícia "mandada pelo Governo" para dispersar a vigília, alertando-lhes para o facto de "um dia também poderem morrer, justamente por falta de oxigénio" nos hospitais do país.
Baldé defendeu que se um dos agentes da polícia precisar de oxigénio no Simão Mendes "pode ter a certeza de que vai morrer".
Segundo a ativista, este hospital é "o cemitério dos guineenses", que também criticou, considerando que são "conformados e pacíficos", sobretudo os jovens.
"É uma vergonha o tipo de jovens conformados que temos", observou Adama Baldé.