Grupo militar sul-africano DAG termina apoio aéreo sexta-feira
O presidente do grupo militar privado sul-africano Dyck Advisory Group (DAG) disse hoje que vai deixar de dar apoio aéreo às Forças Armadas moçambicanas na próxima semana, quando terminar o contrato de um ano.
Em declarações à agência de informação financeira Bloomberg, Lionel Dyck explicou que o contrato termina na sexta-feira e que, sem a assinatura de um novo contrato, o apoio aéreo das pequenas aeronaves militarmente equipadas aos soldados que combatem a insurgência no norte do país terminará.
"Isso pode deixar as tropas expostas durante as operações de busca porta a porta para encontrar insurgentes em Palma", a cidade mais próxima do local onde a petrolífera Total está a preparar as instalações necessárias para a exploração e exportação de gás natural de Moçambique.
"A investigação às casas é a forma mais perigosa de combate, e ajuda mesmo muito se houve apoio aéreo para isso, e esse apoio tem de ser feito com pequenos helicópteros como os meus, que são rápidos e podem baixar-se e virar rapidamente", disse o dirigente do grupo privado militar.
Nas declarações à Bloomberg, Lione Dyck explicou que a instalação da Total não está em risco de sofrer um ataque direto, mas alertou que a utilização de morteiros por parte dos terroristas permite fazer ataques à distância.
"Os insurgentes já estariam em Pemba" sem o envolvimento da empresa, disse Lionel Dyck, acrescentando: "Há um ano, Pemba estava em risco, agora já não está, mas se nós sairmos e não houver um esforço real para proteger a cidade, isso será um problema".
A organização Amnistia Internacional (AI) apelou na terça-feira a uma "investigação oficial" que permita perceber o que se passou nos últimos três anos no norte de Moçambique, e que sejam "responsabilizados" os autores dos abusos aos direitos humanos aí cometidos.
"Até agora, todos os atores [Forças Armadas moçambicanas, grupos insurgentes e empresas de segurança ou paramilitares privadas] têm agido com total impunidade, mesmo antes [dos ataque à vila de Palma]", afirmou Pedro Neto, diretor executivo da AI em Portugal, em declarações à Lusa.
Antes dos recentes ataques, a AI divulgou um relatório - "O que Vi foi a Morte: Crimes de guerra no `Cabo Esquecido`" - em que afirma que centenas de civis foram mortos em Moçambique pelo grupo armado `jihadista` conhecido localmente como `Al-Shabab`, pelas forças de segurança governamentais e por uma empresa militar privada contratada pelo Governo.
A organização refere-se ao DAG, uma empresa paramilitar privada sul-africana, que mais de meia centena de testemunhas garantem ter "disparado metralhadoras a partir de helicópteros, lançado granadas de mão contra multidões e disparado também repetidamente contra infraestruturas civis, incluindo hospitais, escolas e habitações".
A vila de Palma, cerca de 25 quilómetros do projeto de gás natural da multinacional Total, sofreu um ataque armado na quarta-feira da semana passada que as autoridades moçambicanas dizem ter resultado na morte de dezenas de pessoas e na fuga de centenas.
A violência está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados, segundo agências da ONU, e mais de duas mil mortes, segundo uma contabilidade feita pela Lusa.
O movimento terrorista Estado Islâmico reivindicou na segunda-feira o controlo da vila de Palma, junto à fronteira com a Tanzânia.
Vários países têm oferecido apoio militar no terreno a Maputo para combater estes insurgentes, mas, até ao momento, ainda não existiu abertura para isso, embora haja relatos e testemunhos que apontam para a existência de empresas de segurança e de mercenários na zona.