Grupo Pestana poderá cancelar contrato de gestão do "resort" Ilhéu das Rolas
Lisboa, 21 Dez (Lusa) - O grupo Pestana poderá cancelar o contrato de gestão do empreendimento turístico do ilhéu das Rolas, em São Tomé e Príncipe, devido a uma "campanha de desinformação", revelou à Agência Lusa fonte da empresa.
Desde 2004 que o grupo Pestana gere um empreendimento turístico de quatro estrelas no ilhéu das Rolas com o nome Pestana Equador, mas os moradores queixam-se da forma como estão a ser tratados pela empresa portuguesa. Os moradores acusam o grupo português de ter cortado a luz e a água, de fechar a escola e lamentam as baixas indemnizações (2.200 euros) que estão a ser oferecidas para que abandonem as suas casas.
Respondendo por e-mail a perguntas da Lusa, a administração do grupo refere que desconhece as queixas dos moradores, sublinhando que "não é política" da empresa expulsar habitantes das ilhas.
O grupo português queixa-se de uma "campanha de desinformação na comunicação social" e adianta que está "a ponderar o eventual cancelamento do contrato de gestão em vigor e a aconselhar o proprietário a ponderar o eventual encerramento da unidade até que tais condições se alterem".
O proprietário do Pestana Equador é a empresa Rotas de Africa, com a qual o grupo Pestana assinou há três anos um contrato para a gestão do empreendimento.
Além da "campanha de desinformação", o grupo português adianta que, devido à ausência logística aérea de e para S. Tomé, "a ocupação desta unidade (Equador Pestana) foi miserável nos anos de 2006 e 2007, tornando-a economicamente inviável".
Segundo o grupo Pestana, a Rotas de Àfrica construiu casas no ilhéu das Rolas para os habitantes quando começou a desenvolver o empreendimento turístico.
De acordo com o mesmo grupo, o proprietário do "resort" decidiu apoiar os habitantes do ilhéu que pretendiam sair, nomeadamente para Porto Alegre, a cidade mais próxima e apenas acessível de barco, mas que possui posto médico, escola, ensino e empregos.
"O único empregador existente no ilhéu é a unidade hoteleira", sublinha o grupo Pestana, para garantir que a transferência das famílias está a ser feita "sem qualquer pressão".
Desde 2004, "o grupo Pestana assegura o alojamento e alimentação aos colaboradores do hotel que habitam no ilhéu, tendo, até ao momento, realizado inúmeras acções de formação profissional", salienta a administração, realçando que, além de existirem colaboradores residentes no ilhéu, outros optaram por morar em Porto Alegre e continuam a trabalhar na unidade turística.
Sobre os cortes de água e luz, de que se queixam os moradores, a administração do grupo português afirma que ambos "estão a ser fornecidos aos habitantes, em condições iguais às anteriores, sofrendo, naturalmente, as quebras que ocorrerem na unidade".
O grupo Pestana diz ainda que "não tem autoridade para abrir ou encerrar escolas".
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