Grupos armados no Tigray declaram "guerra total" contra a Etópia

Grupos armados no Tigray declaram "guerra total" contra a Etópia

O vice-presidente das autoridades rebeldes da região etíope do Tigray, Amanuel Assefa, disse hoje à Agência France Presse (AFP) que os grupos armados estão "em guerra total" contra o Governo da Etiópia. 

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Segundo a AFP os combates entre as forças federais aos grupos armados agravaram-se nos estados regionais de Amhara e Afar, no norte da Etiópia. 

O Governo federal etíope, liderado pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed, e as autoridades rebeldes acusaram-se mutuamente de quererem desencadear um novo conflito.

Membros do Exército federal, apoiados por dissidentes das forças do Tigray, concentraram-se nas regiões de fronteira tendo levado a cabo vários ataques.

As autoridades federais também realizaram dezenas de ataques com drones na região desde o início de agosto.

"Há combates por todo o lado", declarou Amanuel Assefa, vice-presidente da Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF), organização política que governou a Etiópia e que, na prática, comanda o território do norte do país --- tendo assumido, na quarta-feira, o controlo de três aeroportos.

Hoje, decorreram combates entre forças federais e grupos armados, especialmente em Afar, onde os rebeldes tomaram várias localidades.

Uma fonte humanitária na região, que pediu o anonimato, relatou disparos de artilharia pesada nos arredores da localidade de Yalo, região de Afar.

"Há feridos e pessoas deslocadas", afirmou a mesma fonte.

Ao mesmo tempo, ocorreram combates na região de Amhara.

Segundo a Agência France Presse, as hostilidades fizeram ressurgir o espetro de uma nova guerra em grande escala, menos de quatro anos após a assinatura de um acordo de paz em Pretoria que tinha posto fim ao conflito no Tigray.

Pelo menos 600 mil pessoas morreram no conflito, entre 2020 e 2022, segundo dados da União Africana.

Na quarta-feira, a União Africana e a União Europeia instaram todas as partes a parar os combates.

Os novos confrontos ocorreram depois do anúncio de novos ataques por sete grupos de oposição ao Governo federal em várias zonas do país --- incluindo o TPLF, as milícias Amhara Fano e o Exército de Libertação Oromo (OLA)

Foram também relatados combates nos arredores de Waldiya, uma cidade estratégica na região de Amhara.

Nos últimos meses, o governo de Abiy tem acusado o TPLF de se aproximar de grupos armados de outros estados regionais, bem como da vizinha Eritreia.

A antiga colónia italiana, progressivamente anexada à Etiópia a partir da década de 1950 e que conquistou a independência em 1993 após três décadas de guerra contra Adis Abeba, mantém historicamente relações muito tensas com o Governo central.

O Presidente da Eritreia, Isaias Afwerki, enviou o Exército para apoiar Abiy contra o TPLF entre 2020 e 2022, mas as relações entre os dois líderes deterioraram-se, com Asmara a acusar o país vizinho de cobiçar o porto eritreu de Assab.

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