Guarda Civil pede mais tempo à Audiência Nacional para interrogar detidos

Madrid, 21 Jan (Lusa) - A Guarda Civil espanhol solicitou hoje uma extensão de pelo menos 24 horas no período de detenção dos 12 paquistaneses e dois indianos detidos no sábado em Barcelona por alegada ligação a redes terroristas islâmicas.

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Fontes judiciais confirmaram que o pedido foi formulado ao juiz da Audiência Nacional Ismael Moreno no intuito de ampliar o prazo máximo de 72 horas de detenção de um alegado terrorista, antes de o apresentar a um juiz.

Se o pedido for aceite, o que é bastante provável, os detidos deverão ser apresentados ao juiz apenas na quarta-feira, permanecendo em Madrid, para onde foram transferidos no fim-de-semana.

No sábado o ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, explicou que os detidos planeavam abastecer-se de explosivos e que se preparavam para cometer um atentado, possivelmente em Barcelona.

"Segundo as provas de que dispomos, estamos a lidar com um grupo de carácter islamita radical, com um nível importante de organização", que estamos prestes a passar da "radicalismo ideológico" a "acções violentas", adiantou.

Informações rejeitadas pelos familiares dos detidos que negam qualquer vínculo à rede Al Qaida, com responsáveis da comunidade islâmica em Barcelona a temerem eventuais repercussões na sequência das detenções.

No decurso da operação, que envolveu rusgas a cinco casas, uma mesquita e um local de culto não-oficial, a Guarda Civil encontrou quatro temporizadores, vários telefones móveis e diverso material informático que está agora a ser analisado.

A imprensa da Catalunha noticia hoje que o grupo de detidos recebera - da parte de altos responsáveis da rede Al Qaida, durante uma reunião organizada num campo de treino da região paquistanesa do Waziristão - ordens para cometerem um atentado em Barcelona.

O jornal espanhol El Pais noticiara no sábado que Portugal, França, Reino Unido e Espanha foram alertados pela secreta espanhola para riscos de atentados durante a viagem à Europa do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, que já se encontra em Bruxelas.

Além da Bélgica, Musharraf visitará França, Grã-Bretanha e Suíça.

Os alertas dos serviços secretos espanhóis aos três países europeus foram feitos na véspera da detenção em Barcelona de 14 suspeitos - 12 paquistaneses e dois indianos - de estarem a preparar atentados terroristas.

Para analisar a situação e os indícios de ameaças terroristas em Portugal, o Gabinete de Coordenação de Segurança vai reunir-se hoje ao fim da tarde de emergência.

ASP

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