Guardas prisionais autorizados a manter armas de fogo fora do horário de trabalho
Os guardas prisionais brasileiros vão ser autorizados a manter as armas de fogo fora do horário de trabalho como medida de protecção individual, informaram hoje fontes policiais.
A Polícia Federal brasileira, instituição responsável pelo controlo de porte de armas no país, iniciará a emissão das autorizações para agentes penitenciários, num prazo máximo de dez dias.
A medida é uma das reivindicações dos sindicatos que representam os guardas prisionais de São Paulo, que nos últimos dias estão a realizar uma série de protestos contra os recentes assassínios no Estado.
Nos últimos sete dias, cinco guardas prisionais foram assassinados em São Paulo e outros dois ficaram feridos, durante ataques efectuados por indivíduos alegadamente ligados ao grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC).
A vítima mais recente foi o guarda Genivaldo Lourenço da Silva, 30 anos, assassinado quarta-feira, durante uma fuga de detidos na penitenciária de Franco da Rocha, região metropolitana de São Paulo.
Um dos presos estava armado e disparou contra o agente, no momento da fuga do prisão, com capacidade para 852 detidos, mas que alberga actualmente 1.269 condenados.
Desde a última quarta-feira, presumíveis membros do PCC iniciaram uma série de ataques contra agentes prisionais, o novo alvo do grupo criminoso responsável pela onda de violência registada em São Paulo em Maio.
Os ataques começaram depois da polícia de São Paulo ter morto a tiro, durante uma operação especial, 13 pessoas supostamente ligadas ao PCC, no dia 26 de Junho.
Os 23 mil guardas prisionais que trabalham em todo o Estado de São Paulo receberam instruções para mudar os trajectos habituais entre residência e local de trabalho e a duplicar a atenção enquanto estão fora do horário de trabalho.
Os ataques do PCC iniciaram-se em Maio após a transferência de 765 detidos para a prisão de segurança máxima de Presidente Venceslau, a 620 quilómetros a oeste de São Paulo.
Os ataques paralisaram a cidade de São Paulo e deixaram 42 policiais e agentes de segurança mortos, mas até ao momento desconhece- se o número exacto de suspeitos mortos por polícias.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que foram mortos 123 suspeitos, entre 12 e 20 de Maio.
Grupos ligados à defesa dos direitos humanos, entretanto, afirmaram que foram registados 492 mortes por armas de fogo, durante esse período, em todo o Estado de São Paulo.