Guerra na Líbia sem fim à vista

O afundamento, ontem, de quatro navios da Marinha de Guerra líbia volta a colocar o foco das atenções sobre a intensidade da guerra aérea da NATO. Um balanço provisório, ao fim de dois meses de guerra, deixa uma imagem de muitas missões aéreas, mas relativamente pouco material para destruir do lado das forças de Kadhafi. E, no entanto, nenhum sinal de que o conflito esteja próximo do fim.

RTP /
Incêndio em edifício de Tripoli, após bombardeamento da NATO no início desta semana Sabri Elmhedwi, Epa

Desde o dia 19 de março, a NATO levou a cabo nada menos de 7.000 missões aéreas, incluindo bombardeamentos e voos de reconhecimento. A NATO mantém um boletim diário na sua página oficial, mas não apresentaria aí um cálculo global deste tipo - nem aí, nem a quem lho pedisse. A compilaçção de boletins para obter a visão de conjunto foi feita pelo jornalista alemão Johannes Korge, no site de Der Spiegel

Korge não calcula quantos desses 7.000 voos terão sido missões de combate e missões de reconhecimento. Mas a proporção entre essas duas categorias e as restantes está calculada para as últimas 24 horas: 159 voos, dos quais 53 se fizeram para reconhecer ou bombardear.

O jornalista cita o ministro francês da pasta da Defesa, Gerard Longuet, numa outra avaliação que é omitida no site da NATO - esta sobre o material destruído às forças de Kadhafi. Segundo Longuet, terão sido destruídos cerca de um terço do material pesado de Kadhafi e cerca de metade das suas munições. A totalidade dos jactos da força aérea de Kadhafi estaria também fora de combate, embora lhe restem ainda helicópteros.

O problema destes cálculos está em determinar o terço de quê e a metade de quê. A agência noticiosa Reuters julgava conhecer o ponto de partida e, quando do início da guerra, publicou uma estimativa que supunha ao serviço de Kadhafi cerca de 50.000 soldados, 800 blindados, 2.400 unidades de artilharia, 400 aviões de combate e 20 navios de guerra.

Mas parte destas forças estava mal treinada e mal equipada; muito deste material era obsoleto e imprestável. Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), Kadhafi só poderia verdadeiramente contar com cerca de um décimo da força aérea que lhe era atribuída (apenas 4o aparelhos, no já citado total de 400). A este facto não será estranha a utilização de aviões para a fumigação de pesticidas como improvisados aparelhos de combate.

Apesar da imagem de uma guerra a bombardear intensamente arsenais depauperados e em boa parte sucata, certo é que os rebeldes não têm registado avanços decisivos. Kadhafi tem sofrido golpes mais duros na frente política, com deserções de alguns dos seus antigos seguidores, do que na frente militar.
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