Guerra na Ucrânia. Instituto dos EUA denuncia campanha para desacreditar contraofensiva

O instituto norte-americano para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês) denunciou hoje uma campanha da Rússia para desacreditar a contraofensiva ucraniana no sul, anunciada por Kiev em 29 de agosto.

Lusa /

"O Ministério da Defesa russo começou a conduzir uma operação de informação para apresentar a contraofensiva ucraniana como tendo fracassado decisivamente quase logo que foi anunciada", disse o ISW na sua análise diária sobre a guerra iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro.

Horas depois de as autoridades ucranianas terem anunciado a operação no sul da Ucrânia, Moscovo disse que as suas forças tinham posto termo à contraofensiva e abatido mais de 1.200 combatentes ucranianos num só dia.

O ISW disse que "vários bloguistas militares proeminentes" têm estado a promover a campanha do Ministério da Defesa.

Adicionalmente, referiu, outros defensores da Rússia nas redes sociais estão a promover a narrativa de que a contraofensiva foi uma imposição dos aliados ocidentais da Ucrânia por razões políticas.

O ISW disse também que os meios de comunicação do Kremlin (Presidência da Rússia) falaram num alegado conflito entre o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o chefe das forças armadas, general Valerii Zaluzhnyi, "para reforçar a narrativa" de que a contraofensiva foi lançada por razões políticas.

Segundo tais versões, o general Zaluzhnyi defendeu que as forças ucranianas não estavam militarmente preparadas para a contraofensiva.

"As operações militares à escala desta contraofensiva não têm êxito ou falham num dia ou numa semana", disse o instituto norte-americano.

Os analistas do ISW referiram que as forças ucranianas têm andado a preparar a operação há meses, "atacando e perturbando as linhas terrestres de comunicação russas, o comando e controlo russos, e os sistemas logísticos russos em todo o sudoeste da Ucrânia ocupada".

"O momento do início da contraofensiva é consistente com a degradação observada das capacidades russas" na região de Kherson, considerou o ISW.

Segundo os analistas, "não há razão para suspeitar que o `timing` tenha sido materialmente influenciado por considerações ou tensões inadequadas".

As operações " irão muito provavelmente desenrolar-se ao longo das próximas semanas e possivelmente meses, à medida que as forças ucranianas tirem partido das condições que estabeleceram para derrotar determinados setores da linha que identificaram como vulneráveis", acrescentou o ISW.

As autoridades ucranianas, que têm recebido armamento dos aliados ocidentais, têm declarado que pretendem libertar as zonas ocupadas desde o início da guerra, bem como a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Na terça-feira, Kiev anunciou que estava a criar corredores de segurança para a saída de residentes da Crimeia e recomendou aos que não pudessem abandonar a região que se afastassem de instalações militares russas.

As autoridades ucranianas e russas têm divulgado informações sobre os combates, incluindo baixas civis e militares, mas muitas dessas informações não podem ser verificadas por fontes independentes.

A ONU confirmou a morte de mais de 5.600 civis desde o início do conflito, mas tem alertado que o balanço será consideravelmente superior.

Nas últimas horas, o Reino Unido confirmou a morte de um britânico que foi para a Ucrânia como médico voluntário.

A morte de Craig Mackintosh foi comunicada pela família.

O médico foi morto em 24 de agosto, "em ação", disse uma sua irmã numa plataforma criada para financiar o repatriamento do corpo, sem dar mais pormenores sobre as circunstâncias.

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico disse hoje à agência francesa AFP que está "a ajudar a família de um britânico que morreu na Ucrânia e que está em contacto com as autoridades locais".

 

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