Guerra nas estrelas. EUA admitem ter armas em órbita

Guerra nas estrelas. EUA admitem ter armas em órbita

Washington reconhece pela primeira vez que colocou armas convencionais no espaço para proteger as forças norte-americanas. O anúncio surge num contexto de crescente rivalidade com Rússia e China e de reforço das capacidades militares no domínio espacial.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Secretário da Força Aérea norte-americana, Troy Meink, assume publicamente a colocação de armas em órbita. Andrew Harnik / Getty Images VIA AFP

Os Estados Unidos confirmaram, pela primeira vez, que já têm armas convencionais colocadas em órbita da Terra

O anúncio foi feito esta segunda-feira, pelo secretário da Força Aérea norte-americana, Troy Meink, que justificou a existência destas capacidades com a necessidade de proteger as forças dos EUA perante eventuais ações hostis de outros países.

"Hoje, continuamos a garantir que permanecemos prontos para enfrentar os desafios das ameaças em constante evolução, onde quer que elas existam”, afirmou Meink na Conferência sobre Ar, Espaço e Ciberespaço, organizada pela Associação das Forças Aéreas e Espaciais, que decorre até esta quarta-feira, em Maryland.
É a primeira vez que Washington reconhece publicamente a existência de armas em órbita. No entanto, Troy Meink não revelou que tipo de armamento foi colocado no espaço, nem quando foi lançado. 

A imprensa internacional, entre as quais a BBC e a CNN, revela que o secretário da Força Aérea norte-americana foi questionado sobre as capacidades do sistema, mas terá recusado dar informações acrescidas.

"É de extrema importância que mantenhamos a nossa supremacia não apenas no ar, mas também no espaço, e por isso tivemos que tomar medidas para garantir que, quando formos ameaçados, possamos lidar com a situação", fez questão de explicar.
O espaço como novo campo de batalha

O anúncio por parte da Administração Trump de ter armas em órbita surge numa altura em que Washington considera que a Rússia e a China estão a desenvolver tecnologias capazes de interferir ou atacar satélites

Estes equipamentos são fundamentais para comunicações militares, vigilância, navegação, previsão meteorológica e resposta a catástrofes.

Na página oficial, a Força Espacial norte-americana escreve que Pequim "desenvolve e opera capacidades espaciais e contraespaciais como parte de uma estratégia de modernização militar", enquanto Moscovo "vê o espaço como um domínio de guerra e acredita que a supremacia espacial será um fator decisivo em conflitos futuros".

Entretanto, um porta-voz da Força Espacial citado pela BBC explicou que o chamado "controlo espacial" inclui meios destinados a "interrupção, degradação e até mesmo destruição" das capacidades dos adversários. Segundo a mesma fonte, essas capacidades "podem ser empregadas para fins ofensivos e defensivos sob a direção dos comandos de combate".
Um tratado com uma brecha

O Tratado do Espaço Exterior, assinado em 1967, proíbe a colocação em órbita de armas nucleares e outras armas de destruição em massa. 

No entanto, não impede explicitamente a utilização de armas convencionais no espaço, nem o lançamento, a partir da Terra, de ataques contra objetos espaciais. É ao consultar o documento que se percebe que é nessa zona cinzenta que se desenvolve parte da atual corrida tecnológica.

A criação da Força Espacial dos EUA, em 2019, marcou uma nova etapa na estratégia militar norte-americana, destinada inicialmente a proteger os ativos americanos em órbita.

Sob a Administração de Donald Trump, essa estratégia ganhou uma dimensão mais ofensiva. 

O presidente dos EUA tem defendido o reforço das capacidades norte-americanas no espaço e a criação da "Cúpula Dourada" (Golden Dome America), um ambicioso sistema de defesa antimíssil destinado a proteger os Estados Unidos de ataques provenientes de diferentes pontos do mundo.
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