Guerrilha suspende negociações com o governo da Colômbia

A guerrilha de extrema-esquerda Exército de Libertação Nacional (ELN) suspendeu as conversações de paz e acusou o governo da Colômbia de violar os termos da trégua que está a ser discutida há 15 meses.

Lusa /
Na Colômbia estão suspensas as conversações entre a guerrilha e o governo Ernesto Mastrascusa - EPA

"As discussões entre o ELN e o Governo Nacional estão a entrar numa fase de congelamento até que o Governo esteja disposto a respeitar os seus compromissos", afirmou a liderança da guerrilha, num comunicado datado de segunda-feira.

O ELN disse que "o Governo colombiano, através do Comissário para a Paz, das Forças Armadas e da Polícia, tem levado a cabo ações que violam o acordo" e menciona expressamente os diálogos regionais no departamento de Nariño, no sudoeste do país.

A guerrilha sublinhou que o diálogo em Nariño está "fora do processo nacional de participação da sociedade", que conta com a presença da ONU e da Conferência Episcopal Colombiana.

O anúncio surge uma semana depois de o ELN ter suspendido, a 14 de fevereiro a "greve armada", imposta no oeste da Colômbia, depois de ser acusado de violar a trégua negociada no âmbito das conversações de paz em curso com o Governo.

Dois dos principais atores das negociações de paz, o Comissário para a Paz, Otty Patiño, responsável pelas conversações em nome do governo de Gustavo Petro, desde outubro, e a Igreja Católica, acusaram o ELN de não respeitar os termos da trégua.

Um relatório dos serviços secretos afirma que o ELN tinha aproveitado as negociações para "ganhar tempo" e "reforçar as capacidades militares", enquanto o "envolvimento em atividades ilegais, como o tráfico de droga e a extorsão, aumentou para obter fundos para financiar as operações", de acordo com o documento divulgado na terça-feira pela imprensa colombiana.

 

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