Guerrilha tchechena avisa que morte de Bassaiev não resolve conflito

Um representante da guerrilha tchechena advertiu o Governo russo de que a "presumível morte" do seu principal chefe militar, Chamil Bassaiev, anunciada por Moscovo, não resolverá o conflito armado na república separatista da Tchetchénia.

Agência LUSA /

"Enquanto o povo tchetcheno continuar a existir e até que a Rússia e a Tchetchénia não estabeleçam relações mutuamente aceitáveis não haverá paz viável e duradoura", disse à rádio Eco de Moscovo o representante da guerrilha na Europa, Ahmed Zakayev.

O director do Serviço Federal de Segurança russo (FSB, antigo KGB), Nikolai Patrushev, informou hoje o Presidente Vladimir Putin de que o "terrorista número um da Rússia", Bassaiev, teria sido morto numa operação dos serviços secretos na república da Ingúchia, vizinha da Tchetchénia.

"Esta noite na Ingúchia, uma operação especial foi levada a cabo (Ó) durante a qual foi eliminado Chamil Bassaiev e outros bandidos que preparavam um atentado", afirmou Patrushev durante um encontro com Putin transmitido pela cadeia de televisão russa NTV.

No entanto, ao contrário do que aconteceu com os "presidentes" rebeldes eliminados no passado, Aslan Maskhadov e Abdul Khalim Saidullaiev, o corpo de Bassaiev, de 41 anos, adepto da linha mais dura entre os separatistas tchetchenos, ainda não foi mostrado pela televisão.

"É um castigo merecido para esses bandidos, em nome das nossas crianças de Beslan, de Budennovsk, por todos os atentados que cometeram em Moscovo e noutras regiões da Rússia, como na Ingúchia e na Tchetchénia", comentou Putin.

Também o primeiro-ministro tchetcheno pró-russo, Ramzan Kadyrov, considerou a morte de Bassaiev "uma grande alegria para toda a nação tchetchena e para a Rússia, porque esse homem estava coberto de sangue".

"Estamos reconhecidos àqueles que mataram Bassaiev, mas ele era meu inimigo de sangue, tinha prometido liquidá-lo, lamento não o ter podido fazer", acrescentou Kadyrov.

Do lado da guerrilha tchetchena, a falta de confirmação própria da notícia dada por Moscovo, levou Zakayev a comentar com alguma prudência o acontecimento.

O representante da guerrilha tchetchena na Europa duvidou mesmo da versão dos serviços secretos russos, considerando que estes poderão estar a colher louros de uma morte causada por um "acidente fatal".

As primeiras informações dos "media" russos davam conta da morte de vários guerrilheiros tchetchenos numa "explosão acidental" de um camião carregado de explosivos.

A morte de Bassaiev é uma grande notícia para a Rússia a menos de uma semana da reunião de sábado do G8 (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, Japão e Rússia) em São Petersburgo.

Os separatistas tchetchenos ficam quase decapitados na sua cúpula, apesar da nomeação de um líder militar, o pouco conhecido Doku Umarov, para substituir o "presidente" Abdul Khalim Saidullaiev, morto a 17 de Junho.

"Sabemos que a ameaça terrorista é ainda muito grande", considerou Putin, apelando ao reforço da luta antiterrorista, numa altura em que células dos rebeldes separatistas se encontram disseminadas por todo o Cáucaso russo.

Para o Presidente tchetcheno pró-russo, Alu Alkhanov, no entanto, "este dia pode ser considerado como o do fim da luta mais dura" contra a guerrilha tchetchena.

Ahmed Zakayev, por seu lado, voltou a apelar a uma saída dialogada para o conflito na Tchetchénia: "O conflito tchetcheno começou político e depois degenerou para a violência", explicou, referindo-se à primeira guerra da região (1994-96) e à segunda - que começou em 1999 e Moscovo já deu por terminada há algum tempo.

Actualmente, a Tchetchénia está presa no "círculo vicioso da violência, que só poderá quebrar-se com manifestações de vontade política", esclareceu Zakayev.

"Resolver e acabar com as guerras sempre foi prerrogativa da Rússia e nada mudou", concluiu.

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