Guiné-Bissau - Casamança é assunto interno do Senegal
O governo da Guiné-Bissau considera que o conflito de Casamança é um assunto interno do Senegal, cujas autoridades têm o direito de usar todos os meios para o ultrapassar, disse hoje à Agência Lusa o ministro da Defesa guineense.
Hélder Proença escusou-se, todavia, a comentar as acusações feitas na véspera pelo presidente da Câmara de Ziguinchor, capital regional de Casamança, de financiamento por parte de Dacar do exército guineense para combater rebeldes independentistas.
"Não tenho essa informação. Mas a questão de Casamança é um problema do Senegal. O Estado senegalês tem todo o direito de utilizar os instrumentos que entender pertinentes para resolver um problema interno", afirmou o ministro.
Em declarações ao jornal Gazeta de Notícias, Sagna acusou o governo de Dacar de estar a apoiar financeiramente o exército guineense para combater "senegaleses" e afirmou que não existem bases do movimento independentista em território guineense, mas sim em Casamança.
O exército guineense iniciou a 16 de Março uma "Operação de Limpeza" na região norte do país, de onde afirma ter expulso todos os elementos de uma ala radical do Movimento das Forças Democráticas de Casamança (MFDC), liderado por Salif Sadjo, dando as operações por terminadas há cerca de uma semana.
Justificando a actuação de Bissau, o ministro da Defesa sublinhou que a "relativa instabilidade" que se vive na região norte do país, junto à fronteira com o Senegal, levou as autoridades guineenses a optar por esta via, uma vez que "a violência não é solução para nada".
Hélder Proença lembrou que o executivo de Aristides Gomes está a ultimar a criação de um Observatório Permanente de Segurança e Defesa para Casamança, para estudar as causas do conflito e prevenir futuros incidentes.
"Temos uma situação de relativa instabilidade no norte, junto à fronteira com o Senegal, e o observatório é um instrumento de prevenção de conflitos e de análise das causas da instabilidade, no sentido de se garantir a paz e a segurança na fronteira com o Senegal", que se estende ao longo de 337 quilómetros, afirmou.
Hélder Proença sublinhou que o observatório, cuja criação foi anunciada a 14 de Março no Parlamento pelo primeiro-ministro guineense, "é uma ajuda fundamental" para solucionar o conflito que atinge há 25 anos aquela província do sul do Senegal, fronteira à Guiné-Bissau, e que é liderada pelo Movimento das Forças Democráticas de Casamança (MFDC).
"A violência não é solução para nada e, por isso, é importante irmos às causas dos problemas. Penso que o observatório poderá ter um papel fundamental para a resolução das questões que conduzem à instabilidade e à insegurança das nossas populações nessa zona", referiu.
A constituição do observatório, bem como a sua composição, instalação e sede, estão a ser ultimadas pelo executivo, acrescentou Hélder Proença, que falava à Lusa no final da VIII Reunião dos CEMGFA da CPLP, a cuja cerimónia de encerramento presidiu em nome do chefe de Estado guineense, João Bernardo "Nino" Vieira.