Guiné-Bissau. Libertação de detidos essencial para fim da suspensão da CPLP

O ministro dos Negócios Estrangeiros português disse hoje que a libertação de todos os detidos na sequência do golpe de Estado de novembro na Guiné-Bissau é "essencial e indispensável" para o fim da suspensão deste país na CPLP.

Lusa /

Paulo Rangel, que hoje visitou a sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, disse aos jornalistas que a organização, e a comunidade internacional, aguardam esse gesto das autoridades guineenses para "avançar".

"O povo da Guiné-Bissau e a Guiné-Bissau enquanto Estado são, obviamente, essenciais à CPLP. Tendo em conta que houve uma interrupção da normalidade política constitucional, e nos termos dos estatutos da CPLP, teve de se decidir uma suspensão".

E foi também decidido criar uma Missão de Bons Ofícios de Alto Nível, a enviar para a Guiné-Bissau, que Paulo Rangel disse acreditar que "vai ocorrer".

Enquanto ministro de Portugal, afirmou que é "um ponto fundamental" a libertação de todos os detidos, entre os quais se encontra o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira.

"É essencial que o poder atualmente dominante em Bissau compreenda que é preciso dar essa mensagem aos países irmãos da CPLP e à comunidade internacional, no seu todo", defendeu.

Rangel referiu que, após a libertação de todos os detidos na sequência do golpe de 26 de novembro, será em princípio possível "começar a dialogar" no sentido de se organizar um processo de transição, que também "tem de ser extremamente rápido".

"A nossa mensagem é muito consistente para o poder na Guiné-Bissau, mas também é muito clara para o povo da Guiné-Bissau e para o Estado enquanto tal, que é o de que nós contamos com eles e nós queremos remover a suspensão, assim que todos os obstáculos a essa remoção sejam levantados. O primeiro deles, que é essencial e que é indispensável, é a libertação de todos aqueles que foram detidos na sequência desse golpe militar", reiterou.

A suspensão da Guiné-Bissau, que na altura do golpe presidia à CPLP, levou a que um outro Estado-membro assumisse esta direção: Timor-Leste.

Questionado sobre o próximo país a assumir a presidência e se este poderia ser a Guiné Equatorial, Rangel disse que a escolha resultará de um consenso entre todos os países da CPLP, mas que ainda é muito cedo.

"Vamos esperar com toda a calma (...). Não há nem pressa, nem sequer nenhuma inquietação", salientou.

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