Guiné-Bissau. Novas eleições gerais em dezembro

A Guiné-Bissau vai novamente a eleições gerais, presidenciais e legislativas, em dezembro, em data que será anunciada em decreto presidencial pelo Presidente da República de transição, Horta Inta-a.

Lusa /

 

O anúncio foi feito depois de o Presidente ouvir os órgãos nomeados pelos militares, que tomaram o poder a 26 de novembro interrompendo o processo eleitoral para a escolha de novo Presidente da República e dos deputados à Assembleia Nacional Popular, ocorrido a 23 de novembro de 2025.

No final da audiência, na manhã de hoje, o primeiro-ministro Ilídio Vieira Té, explicou, numa declaração transmitida pela comunicação social guineense, que o Presidente de Transição está a fazer consultas para a marcação de novas eleições gerais "em dezembro" e que cabe a ele agora "fixar uma data exata".

O Presidente chamou para audiências o Alto Comando Militar, o Conselho Nacional de Transição, o primeiro-ministro e o ministro da Administração Territorial, assim como a Comissão Nacional de Eleições (CNE).

O primeiro-ministro explicou, no final da audiência, que o assunto foi a marcação da data de eleições gerais para o mês de dezembro, mas nenhuma das entidades avançou uma data concreta, remetendo para posterior decreto presidencial.

Ilídio Vieira Té disse ainda que, depois de conhecida a data, o Governo criará "condições para realizar as eleições e fará todos os esforços possíveis para cumprir a ordem".

Adiantou ainda que, tal como aconteceu nas últimas eleições, estas serão também totalmente financiadas pelo Tesouro Público guineense.

"O Governo vai fazer tudo o que for possível para fazer as eleições na data que o Presidente vai marcar", afirmou.

Os militares tomaram o poder há cerca de dois meses na véspera da divulgação dos resultados das eleições gerais, presidenciais e legislativas, e o processo eleitoral foi interrompido sem dados oficiais sobre a votação.

O Presidente cessante e recandidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló, foi deposto e saiu do país, enquanto o candidato da oposição, Fernando Dias, que reclamou vitória, terá procurado refúgio na embaixada da Nigéria.

No golpe de Estado, que várias vozes nacionais e internacionais consideraram ter sido uma encenação do Presidente cessante, foram detidos vários políticos, entre eles Domingos Simões Pereira, líder do histórico Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

O líder e o partido foram excluídos das eleições pelo Supremo Tribunal de Justiça e decidiram apoiar a candidatura de Fernando Dias, presidente de uma das alas do Partido de Renovação Social (PRS) que se dividiu, com uma fação fiel a Dias e outra apoiante de Sissoco Embaló.

Os militares anunciaram que o período de transição seria por um ano e uma das primeiras iniciativas legislativas foi a revisão da Constituição, conferindo mais poderes ao Presidente da República.

A Guiné-Bissau foi suspensa de várias organizações internacional que pedem a retoma da ordem constitucional e libertação dos presos políticos, nomeadamente a União Africana, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa" que substitui a Guiné-Bissau por Timor-Leste na presidência.

 

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