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Guiné-Bissau. Timor-Leste cancela missão da CPLP
Timor-Leste, que preside à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cancelou a missão de bons ofícios da organização lusófona que deveria chegar à Guiné-Bissau no próximo dia 18, disseram à Lusa fontes oficiais.
"Concordo com a decisão do Presidente da República em rejeitar prosseguir com a missão a Bissau", pode ler-se também num documento enviado à Lusa, assinado pelo primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, com data de hoje.
A missão de bons ofícios da CPLP à Guiné-Bissau tinha data prevista de chegada ao país a 18 de fevereiro e deveria permanecer em Bissau até dia 21 do mesmo mês.
O primeiro-ministro timorense afirmou na quarta-feira que o golpe de Estado de novembro, na Guiné-Bissau, demonstra que o país é um Estado falhado e salientou que é preciso ajudar no desenvolvimento da democracia e direitos humanos.
"Fomos ajudar a montar todo o sistema, nomeadamente a CNE [Comissão Nacional de Eleições] (....) , para realizarem as primeiras eleições democráticas na Guiné-Bissau. Mas depois disto, voltar agora com um golpe militar ou golpe de Estado, já não falamos de Estado frágil, falamos de Estado falhado", salientou Xanana Gusmão.
Na sequência do golpe de Estado de 2012, Timor-Leste prestou durante vários anos apoio à Guiné-Bissau na organização de eleições.
O Governo guineense de transição repudiou também na quarta-feira as declarações de Xanana Gusmão.
Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense considerou que "as declarações revelam falta de dignidade e de postura política e moral" de Gusmão "para avaliar a realidade" institucional do país.
"Xanana Gusmão, tal como José Ramos-Horta [Presidente timorense], possui um historial de controvérsias públicas que fragilizam a autoridade com que se pronunciam sobre a governação de outros Estados", enfatiza-se na nota.
Timor-Leste assumiu em dezembro a presidência da CPLP, que foi retirada à Guiné-Bissau após o golpe de Estado no país africano, em 26 de novembro, que depôs o então Presidente, Umaro Sissoco Embaló, e interrompeu o processo eleitoral, impedindo a divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.
A missão da CPLP, num total de 15 pessoas, incluía elementos de Angola, São Tomé e Príncipe e de Timor-Leste e seria chefia pelo ministro da Defesa timorense, Donaciano Rosário Gomes.